MULHERES NA HISTÓRIA
ANNIE NATHAN MEYER


Foto Ilustrativa

Annie Nathan nasceu em 19 de fevereiro de 1867 no seio de uma das mais antigas e tradicionais famílias sefaraditas de Nova York e que era profundamente envolvida na vida comercial e cultural da cidade desde a Revolução Americana. Annie era prima de Emma Lazarus, a poetisa americana cujo poema foi gravado no pedestal da Estátua da Liberdade.


Edição 35 - Dezembro de 2001
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A morte prematura da mãe foi um grande choque para Annie, apesar do pai envolver suas filhas com muito amor. Na ocasião dessa grande perda, ela tinha apenas 11 anos e sua irmã, Maud, 16. Nos anos que se seguiram, a jovem lia sem parar procurando consolo e distração nos livros. As duas irmãs foram educadas dentro dos padrões da sociedade vitoriana, que tinha regras rígidas sobre a educação feminina. Naquela época, mulheres não freqüentavam estabelecimentos de ensino superior. Seu pai não cansava de repetir que os homens odiavam mulheres inteligentes e de adverti-la de que, se ela cursasse uma faculdade, nunca se casaria.

Mas apesar da advertência do pai e dos valores da sociedade na qual vivia, Annie preparou-se para fazer os exames de ingresso a um curso de ensino superior para mulheres, que acabara de ser criado na tradicional Universidade de Colúmbia, em Nova York.

A instituição, até então exclusivamente masculina, era freqüentada pela maioria dos amigos de Annie. Mas o curso para mulheres era uma grande ilusão. Segundo as palavras de um repórter da época, as aulas só ensinavam as alunas “a fazer bainhas e a segurar xícaras de chá”. Frustrada, Annie, então com vinte anos, desistiu do curso e de freqüentar uma faculdade, pois em toda a cidade de Nova York e arredores não havia outra universidade que aceitasse mulheres. O acesso destas ao ensino superior era muito restrito.

No ano seguinte, Annie casou-se com Alfred Meyer, um médico famoso, seu primo e 13 anos mais velho. Mesmo casada, no entanto, ela não esqueceu seu sonho de ter uma educação universitária. Decidida a fazer algo a respeito, resolveu fundar uma faculdade para mulheres em Nova York.

Assim, poucas semanas após seu casamento, Annie começou a organizar uma comissão para atuar em prol da implantação de uma faculdade para mulheres em Colúmbia. Ela imaginava que se a universidade não tivesse que arcar com os custos relativos a essa iniciativa, talvez fossem mais receptivos ao projeto. Annie conseguiu persuadir 50 senhoras muito bem consideradas pela sociedade local a apoiar a idéia de uma faculdade para mulheres. Começaram então uma campanha de arrecadação de fundos, cujo primeiro contribuinte foi o próprio marido de Annie, que sempre a apoiara nesse sentido.

Todos os dias Anne Meyer era vista pedalando sua bicicleta, indo de casa em casa, em busca de colaborações. Foi, provavelmente, uma das primeiras mulheres de Nova York a andar de bicicleta. Estava sempre ocupada dando palestras, escrevendo artigos ou negociando com a Universidade de Colúmbia. Tanto sua aparência como seus modos provocavam muitos comentários no seio da sociedade em que vivia, mas Annie não se aborrecia. Nenhuma censura da família ou dos amigos a detinha, pois estava totalmente envolvida com o seu projeto: tinha que criar uma faculdade para mulheres.
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