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Rashi e o misticismo judaico

Rashi usava o método Pshat, isto é, ele recorria ao sentido literal, e só costumava apelar para o Midrash quando o texto o permitia. Mais tarde, algumas interpretações de Rashi da Bíblia foram usadas por exegetas medievais.

Algumas das idéias cabalísticas, como a Merkavá, já eram conhecidas na França no início do século IX, conforme demonstram os ataques feitos por Agobard, bispo de Lyons. Aqui e ali, traços dessas tradições aparecem nos trabalhos de Rashi e dos teosofistas dos séculos XII e XIII. Além disto, Rashi, como outros não-cabalistas e apesar de não sê-lo, faz uma exposição sobre as Sefirot e utiliza-se também da guematriá, o método numerológico da Cabalá, isto é, através do valor numérico das palavras, descobre-se seu sentido interno. Um exemplo: quando Jacob diz (Gên, XXII,4) “Demorei-me em casa de Labão” (Im Lavan Garti), Rashi nota que as letras da palavra Garti somadas 3 + 200 + 400 +10 dão um total de 613, o que significa: “Demorei-me em casa de Labão, o ímpio, porém guardei os 613 preceitos de D’us e não segui os seus maus exemplos”.

Rashi e a filologia francesa

Como já foi citado, freqüentemente, Rashi cita o equivalente em francês (laaz) na transliteração em hebraico de palavras raras; tais notas revelaram-se significativas no estudo da filologia e da pronúncia do francês medieval. (Será dado um exemplo adiante)

Outras obras

Além dos trabalhos de comentários, Rashi escreveu o Sefer HaPardês (o Livro do Pomar), o Sefer HaOrá (Livro da Luz), o Sidur, coletâneas onde reúne as numerosas responsa e prescrições legais que traduzem o seu labor de autoridade rabínica largamente consultada. Como poeta litúrgico, nas Selichot, preces penitenciais, vaza profunda devoção e amor a D’us. Os livros compilados por Saadia e Maimônides serviram mais diretamente como protótipos da liturgia sefaradita, enquanto a liturgia asquenazita deriva principalmente dos livros de oração de Rashi e seu discípulo Sim’ha ben Shmuel de Vitry. Rashi deixou marca indelével no judaísmo: na sua interpretação e no seu pensamento.


© Jane Bichmacher de Glasman
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