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PROFETAS E SÁBIOS |
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RASHI, UM MARCO NO JUDAÍSMO |

Foto Ilustrativa
Shlomo Ben Isaac, Rashi, uma das abreviaturas mais famosas de exegese judaica, nasceu em Troyes, em 1040, e lá faleceu, em 1105.
| Edição 33 - Junho de 2001 |
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Filho de um erudito, foi enviado ainda adolescente para estudar em várias ieshivot da Lotaríngia, mas seu principal mestre foi Rabi Yaakov bar Ykar. Com 25 anos volta à cidade natal, na Champanha, e logo torna-se conhecido como intérprete do Talmud. Para a sua academia começaram a afluir alunos de todas as partes da diáspora judaica. Como era costume na época, nada recebia por suas preleções, cultivando uma vinha para sustentar a família. Pai de três filhas, teve netos que se celebrizaram pelo saber rabínico e como continuadores, ao lado de outros, da obra exegética do avô. São eles Rabi Shmuel ben Meir, Rabeinu Iaakov Tam, os primeiros dos assim-chamados tossafistas (de tossafot = acréscimos). Os derradeiros dias do grande sábio foram ensombrecidos pelas terríveis perseguições aos judeus, desencadeadas pelos cruzados.
A Escrita de Rashi
Rashi usava um tipo de letra própria, uma forma semicursiva da escrita hebraica. Também denominada Mashket é conhecida como caracteres rabínicos. Até hoje os comentários são impressos em letra de Rashi ao lado dos caracteres quadráticos.
Os comentários de Rashi
Já em seu tempo de estudante, Rashi reunira diferentes Kuntrasin, cadernos, folhas, em que os discípulos das ieshivot anotavam as várias interpretações das passagens da Guemará. Mais tarde, reviu e selecionou as mais significativas; completou-as e, com sua concisão e capacidade de clarear as questões mais abstrusas, compôs a lúcida explanação que ainda hoje é a base do estudo do Talmud. A sua glosa estabeleceu um texto correto; a partir dos manuscritos e da tradição oral, introduziu emendas que foram incorporadas às edições impressas, fixou a definição dos termos e explicou num hebraico límpido e, amiúde, em vernáculo francês (que está entre os mais antigos registros desta língua) aramaísmos e vocábulos pouco usados. Trata-se de um trabalho que não só explicou muitos trechos talmúdicos, mas manteve aberto o próprio livro às gerações subseqüentes. Não é de admirar, pois, que a Guemará venha acompanhada da exegese de Rashi.
Sempre em busca dos melhores argumentos, Rashi revisava constantemente o seu texto, acrescentando ou retirando trechos de acordo com sua erudição, cada vez maior. Procurava harmonizar as opiniões das diversas autoridades da Mishná e da Guemará, discutindo as razões que teriam levado os autores a emitir cada afirmação. Incorporou a seu comentário o que de melhor se havia produzido nos 500 anos decorridos desde a conclusão do Talmud, merecendo o elogio do cronista que escreveu: Sem Rashi, o Talmud teria permanecido um livro fechado para os judeus.
Não menos duradouro foi o papel de seus comentários ao Pentateuco. Dois grandes intérpretes medievais da Escritura judaica, Ibn Ezra e Nachmânides, aos quais, aliás, influenciou, talvez sejam mais brilhantes quanto ao raciocínio, às ilações. Rashi, porém, é sem dúvida o mais fiel ao sentido do texto e por isso mesmo o mais amplamente aceito. Desde o século XII, a expressão como diz Rashi é uma das mais invocadas na exposição da Torá e a expressão iídishe Chumash mit Rashi (Pentateuco com Rashi), designou por muito tempo, entre os ashquenazim, a alfabetização e a iniciação judaica do menino judeu. O primeiro livro hebraico impresso, em 1475, foi a sua glosa aos Cinco Livros de Moisés.
Rashi era um gênio para fazer com que as mais complicadas coisas parecessem simples. Não considerou necessário aplicar à análise bíblica e talmúdica, senão de forma superficial, os instrumentos de pesquisa científica existentes, a filologia, a gramática e a história, mas compensou esta falha com uma concisão de pronunciamento, um tratamento ordenado e uma explanação simples. Onde Maimônides expressaria perplexidades ou tentaria a clarificação de um texto por especulação filosófica, Rashi enfrentava o problema de forma desconcertante, disposto a aceitar as palavras da Torá literalmente. Seus comentários sobre a Torá são, ao mesmo tempo, exemplo de modéstia. Ele admitia, mais de uma vez, ignorar a interpretação de uma passagem difícil. |
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