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Os líderes do levante, encabeçados por Anilevitch, então com 24 anos, fizeram um apelo ao mundo exterior. Palavras carregadas de emoção foram transmitidas por uma rádio clandestina: “Declaramos guerra à Alemanha, a declaração de guerra mais desesperada que já foi feita. Organizamos a defesa do gueto, não para que o gueto possa defender-se, mas para que o mundo veja a nossa luta desesperada como uma advertência e uma crítica”.

Depois de uma trégua de três meses, em 19 de abril de 1943, forças alemãs e colaboracionistas poloneses, ucranianos e lituanos cercaram o gueto. Por duas vezes, os atacantes foram rechaçados, com inesperada força, pelas armas dos defensores do gueto. Após sofrer perdas consideráveis, os atacantes acabaram fugindo de forma desorganizada. Para os defensores do gueto, o desespero era sua força e no telhado mais alto tremulava a bandeira azul e branca de Sion.

Diante de tamanha resistência, o comandante alemão Jürgen Stroop recebeu ordem pessoal de Hitler de usar todos os meios para destruir o gueto: artilharia, blindados, lança-chamas, gás asfixiante. Era uma luta corpo a corpo nas ruas, nas casas, sala por sala, sobre os telhados, nos porões, nos esgotos. Finalmente, no ataque final, a aviação alemã teve que intervir para acabar com os últimos focos de resistência.

Em 8 de maio de 1943, Mordechai Anilevitch, a esposa e seus companheiros tombaram, armas em punho, após recusarem-se a se render, mesmo diante da promessa de terem suas vidas poupadas.

Foi a repetição, após 18 séculos, do sacrifício heróico de Betar. Em 16 de maio, o general Stroop enviou um telegrama a Hitler: “O bairro judeu de Varsóvia não existe mais”. Este general de “Herrenvolle” (categoria tão aclamada pelos nazistas) estava orgulhoso de seu feito. Para festejar, mandou dinamitar a grande sinagoga de Varsóvia, “comemorando”, assim, a fase final da exterminação daquela que havia sido uma das grandes comunidades judaicas da Europa.

Ao mesmo tempo, Schmuel Zigemboim, único judeu membro do Conselho polonês exilado em Londres, suicidou-se para protestar contra aquilo que chamou de “conspiração do silêncio”. Em uma nota enviada à imprensa, dizia: “Ao assistir sem reação alguma à matança de milhões de seres inocentes e indefesos, os países livres do mundo ocidental tornaram-se cúmplices dos assassinos”.

Esta acusação era dirigida à resistência polonesa, que ignorou os apelos feitos pelos moradores do gueto. Exceto alguns patriotas – que o Yad Vashem mais tarde homenagearia — os poloneses, em sua grande maioria, preferiram deixar o “problema judeu” por conta dos alemães. Quando algumas centenas de sobreviventes do gueto puderam juntar-se à resistência, em sua maioria polonesa, muitos foram assassinados de forma vil por fascistas poloneses que colaboravam com os nazistas. Mais tarde, quando eles mesmos pediram ajuda aos russos, estes tiveram a mesma atitude: fingiram não ouvir, permitindo aos alemães massacrar sem piedade 150 mil poloneses.

Mas as acusações mais amargas são feitas aos dirigentes do mundo livre. Todos podiam ter feito muito para impedir ou pelo menos retardar o genocídio mais monstruoso da História. Mas nada fizeram. E só enxergaram a terrível realidade da barbárie nazista depois de descobertos os campos de morte, os fornos crematórios ainda fumegantes, os restos humanos empilhados.

Quando o monstro nazista foi abatido, o mundo, estarrecido, gritou: “Nunca mais”. As nações livres juraram ser, no futuro, vigilantes quanto a qualquer nova tentativa de crime contra a humanidade. Mas, infelizmente, por várias vezes, este juramento não foi cumprido e crimes contra a humanidade foram e são cometidos até os dias de hoje.

Extraído do artigo de L. Alhadeff.
Publicado em Los Nuestros.
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