Raquel, sua irmã, também sofria muito, pois permanecera estéril durante vários anos. Um dia, diz a Jacó que se este não lhe der filhos, morrerá. E ele responde, exasperado: Tomarei o lugar de Dus? (Gênese 30:2). Para apaziguar Raquel, concorda em tomar Bilá, a escrava de Raquel, como esposa e com ela tem dois filhos: Dan e Naftali.
Ao perceber que já não estava concebendo, Léa também leva sua escrava Zilpá para Jacó. Esta dá à luz mais dois filhos, Gad e Asher. As preces de Léa são ouvidas mais uma vez e ela engravida, dando à luz Issachar, seu quinto filho e, em seguida, Zebulun, o sexto, e diz: Deu-me Dus boa parte; esta vez habitará meu marido comigo, pois lhe dei seis filhos (Gênese 30:20). Posteriormente nasce sua única filha, Diná.
As preces de Raquel também são ouvidas e ela dá à luz dois filhos: José e Benjamin. Este último nasce de um parto muito doloroso. A família estava a caminho de Efrat, após Jacó ter partido de Haran com suas esposas e filhos. No seu último sopro antes de morrer, Raquel chama a criança de Benjamin.
Nossos sábios dizem que a aparente rivalidade das duas irmãs pela atenção do marido não era motivada por ciúmes. Na verdade, as duas foram escolhidas por Dus para serem mães de Seu povo. Ambas eram profetisas e sabiam que eram incapazes sozinhas de gerar filhos em número suficiente para construir a futura Nação de Israel.
Segundo os sábios, Léa estava destinada a ser a mãe de sete das doze tribos de Israel. Mas isto significava que Raquel daria à luz um único filho. Sentindo compaixão por sua irmã, que só tivera um filho, Léa rezou para que Raquel concebesse um segundo filho. Assim ela própria seria mãe de apenas seis tribos. Através de suas preces, Léa poupou sua irmã da humilhação de dar à luz menos tribos do que as escravas, que tiveram cada uma dois filhos. (Esta é uma das versões para o ocorrido).
Pela descrição do texto bíblico, Léa, que não era uma beldade como as outras matriarcas, mas sim uma figura pálida, foi, no entanto, privilegiada com duas das maiores virtudes: a humildade e a gratidão. Ao chamar seu filho Judá, Léa tornou-se a primeira pessoa na Bíblia a expressar gratidão a Dus. Yah hu Dah, significa obrigada. Por isto o Talmud afirma que desde a Criação do mundo, ninguém havia agradecido a Dus, até que veio Léa e agradeceu ao Senhor.
Na Cabalá, Léa é o símbolo da Biná, o mundo da energia escondida, da dimensão da mente, do espírito e da compreensão. Ela representa o poder da mais profunda devoção. Sua grandeza permitiu-lhe ser mãe de Levi, do qual descenderam os que iriam servir a Dus no Seu Templo, os Cohanim e os Levitas. De Judá, seu quarto filho, descenderam os reis, incluindo o Rei David, e descenderá, no futuro, o Messias.
Os textos sagrados não mencionam quando Léa morreu, mas apenas que foi enterrada na Caverna de Machpelá.
Bibliografia:
Melamed, rabino Meir Matzliach,
A Lei de Moisés |