MULHERES NA HISTÓRIA
A GRANDEZA DE LÉA


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“Desde a Criação do mundo, ninguém havia agradecido a D’us, até que veio Léa e agradeceu ao Senhor”. (Talmud).


Edição 33 - Junho de 2001
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O patriarca Jacó, filho de Isaac, foi o progenitor da Nação Judaica e, como tal, estava destinado a ter doze filhos de quatro esposas: Léa, Raquel, Bilá e Zilpá.
Duas profetisas – Léa e Raquel – foram suas esposas. Irmãs gêmeas, eram filhas de Labão, irmão de Rebeca, a mãe de Jacó. Apesar de serem gêmeas, as duas eram diferentes, tanto no caráter como na aparência. Antes de Léa, todas as matriarcas eram descritas como extraordinariamente belas, inclusive Raquel. Mas no caso de Léa, a única descrição física que a Torá menciona é: “Léa tinha olhos ternos”(Gênese 29:17). Provavelmente ela não enxergava bem. A beleza de Léa era interna e provinha de seu espírito, de sua humildade e compaixão, que serviram como base para a construção do futuro povo judeu. Léa, que passou a simbolizar a devoção pois aceitava resignadamente o que a vida lhe destinava, foi abençoada com sete dos filhos de Jacó: Reuben, Simão, Levi, Judá, Issachar, Zebulun e Diná, a única filha de Jacó.

As núpcias

No capítulo 29 de Gênese, Jacó, temendo que seu irmão Esaú o matasse, foge da casa do pai, em Canaã, e vai para Haran, na Mesopotâmia. Estava, também, atendendo um pedido de seu pai, que queria que ele se casasse com uma das filhas de seu tio, Labão. Chegando a Haran, Jacó vai à fonte na qual sabia que, no passado, Eliezer – servo de Isaac – havia encontrado sua mãe, Rebeca. No local, encontra alguns pastores e entre eles vê a bela Raquel, uma das filhas do tio, apaixonando-se imediatamente por ela: “E beijou Jacó a Raquel e ergueu sua voz e chorou” (Gênese 29:11).

Jacó diz a Raquel que veio para casar-se com uma das filhas de Labão e pergunta-lhe se quer ser sua esposa. Raquel aceita imediatamente, mas o avisa que tem uma irmã mais velha. E que o pai não a deixará casar-se primeiro. Para poder desposar Raquel, Labão impõe uma condição: que Jacó trabalhe para ele durante sete anos. Jacó concorda e a Bíblia diz que ele amava tanto Raquel que os anos “pareceram-lhe um só dia”.

No final dos sete anos, Jacó vai até Labão e exige que lhe dê Raquel em casamento: “Dá-me minha noiva, pois os meus dias já se completaram e eu me casarei com ela” (Gênese 29:21). Mas Labão quer prender Jacó em Haran por mais tempo e decide trocar as irmãs na festa do casamento. Na noite de núpcias, veste sua filha mais velha, Léa, com as roupas de Raquel. Esta, por sua vez, que havia alertado Jacó de que seu pai era “astuto”, havia combinado com ele alguns sinais. Ela os usaria para que soubesse que era ela.

Mas Raquel não queria que sua irmã fosse humilhada perante todos e revela a Léa os sinais. E Jacó, sem perceber a troca, deita-se com Léa, que provavelmente silencia por medo do pai e porque também amava Jacó. O casamento é consumado e, na manhã seguinte, ao descobrir que Léa estava no lugar de Raquel, decepcionado, Jacó queixa-se a Labão, que lhe explica ter feito isso por não ser costume a irmã mais nova casar-se antes da mais velha.

Mas Labão o consola, dizendo: “Completa essa semana nupcial com Léa e lhe darei também a outra mais nova, em troca de mais sete anos de trabalho” (Gênese 29:26). Jacó aceita e desposa Raquel, na semana seguinte, trabalhando para Labão mais sete anos. Jacó, por amar Raquel mais do que Léa, fica furioso com o que acontecera e, somente pouco antes de morrer, reconhece o valor de Léa.

Léa sofria muito pela falta do amor de Jacó. Então D’us viu que ela não era amada e Ele a fez fértil. Mas ela não conseguia encontrar consolo e os nomes que escolhe para seus filhos expressam o amor que sentia por Jacó, assim como a pureza de sua intenções.

Agradecendo a D’us por ter visto sua humilhação, Léa chama seu primeiro filho de Reuben: “Viu o Eterno minha aflição (em hebraico, ra’ah) e agora me amará (ye’ehabani) meu marido” (Gênese 29:32). Ao conceber mais um filho, chama-o de Simão: “E o Senhor ouviu (shamá) que eu não era amada” (Gênese 29:33). O terceiro se chama Levi, na esperança de que “agora meu marido ficará ligado a mim” (Gênese 29:34). Somente o nome de seu quarto filho, Judá, não está diretamente rela-cionado com Jacó: “Esta vez louvarei (odê) o Eterno” (Gênese 29:35).
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