O estudo da lei judaica era uma prioridade maior nas comunidades asquenazitas. Desde o século X, cópias do Talmud podiam ser encontradas fora das ieshivot da Babilônia, e isso facilitou a expansão e o desenvolvimento da erudição rabínica onde quer que os judeus se estabelecessem. As cidades renanas de Mainz e Worms, depois Troyes e Sens no norte da França, tornaram-se conhecidos centros acadêmicos.
Vida Cultural (geral x judaica): O ambiente intelectual da Europa na Alta Idade Média estava longe de ser estimulante. As dificuldades da vida econômica, os ideais militares dos bárbaros e o analfabetismo da maioria da população impediam um florescimento cultural semelhante ao do Oriente muçulmano. Além disto, a cultura estava reservada ao clero e os judeus, evidentemente, não faziam parte dos que poderiam ter acesso à mesma. Em meio à ignorância generalizada, o simples fato de os judeus serem alfabetizados já lhes conferia uma enorme vantagem cultural. À medida que as comunidades foram-se estruturando, as necessidades práticas estimularam o surgimento de escolas e centros de estudos judaicos, onde se estudava a Torá e o Talmud. O isolamento cultural em que viviam os judeus impediu a integração que havia no califado. Nenhum deles se ocupou com Geografia, Astronomia ou Gramática com o interesse que estes assuntos despertavam entre os súditos do Califa; o estudo era restringido aos temas judaicos. Surgiram notáveis eruditos nestas comunidades européias, compensando em profundidade o que lhes faltava em extensão.
Rabeinu Guershom (A Luz da Diáspora) e Rashi: Dois rabinos desta época marcaram profundamente a história do pensamento judaico: Guershom de Mainz e Shlomo ben Isaac Rashi. Guershom ben Iehudá, que viveu no final do século X (965-1028), recebeu o cognome de Meor HaGolá, A Luz da Diáspora, devido a seu saber, sua cultura. É o primeiro erudito asquenazita conhecido e sua influência foi enorme. Nasceu em Metz e foi educado na França. Foi chamado também de Guershom de Mainz, porque estabeleceu e dirigiu a academia daquela cidade. A academia que fundou em Mainz tornou-se um centro de estudos de excepcional importância. Como comentador do Talmud, contribuiu para que as regras talmúdicas fossem compreendidas e praticadas.
Entre as mais famosas disposições legais (takanot) a ele atribuídas estão: a que proibiu entre os judeus a poligamia, que eles de há muito haviam abandonado na prática; a que exigia o consentimento da mulher para o divórcio e a que garantia a inviolabilidade da correspondência privada. O discípulo mais brilhante de Guershom foi um jovem da cidade francesa de Troyes, chamado Shlomo ben Itzhak, mais conhecido pelo cognome Rashi.
© Jane Bichmacher de Glasman
Professora da UERJ, do ISTARJ,
Coordenadora do Setor de Estudos Hebraicos/UERJ. |