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Uma das mais importantes figuras do segmento de diamantes, na África do Sul, em 1860, foi Barney Barnato, um ex-músico e boxeador amador de Londres. Ele foi o principal rival e posterior sócio do barão Cecil Rhodes nas minas de Kimberley. Foi nessa mesma região que, a partir 1902, também começou a atuar Ernest Oppenheimer, como agente de um comerciante londrino. Oppenheimer se tornaria depois o presidente da De Beers, que ainda hoje domina a mineração de diamantes.

Até meados do século 20, toda a matéria-prima da África do Sul era enviada ao exterior para corte e polimento. Com a vinda dos imigrantes judeus após 1945, surgiu uma indústria local. Em 1960, o israelense Moshe Duek comprou a Protea, uma das maiores firmas de comércio de Joanesburgo. Um dos sinais mais concretos da presença judaica no setor pode ser visto no elevador do novo centro de diamantes da cidade: um aviso com o horário dos serviços religiosos diários de minchá e maariv.

A Segunda Guerra Mundial transformou o panorama europeu diamantífero. Os nazistas destruíram Amsterdã como núcleo desta indústria e, ao final do conflito, parte dos comerciantes judeus transferira-se para Antuérpia, onde estava renascendo um grande centro da indústria de diamantes controlado por não judeus. Sobreviventes do Holocausto foram, também, para Israel – onde surgia um novo centro de diamantes – e dedicaram-se ao que sabiam fazer – e que os nazistas não haviam lhes tirado: cortar, polir e negociar.

Nova York foi outro local escolhido pelos judeus para reconstruírem sua vida, integrando-se ao já existente segmento de diamantes americano. Mais recentemente, a cidade também recebeu imigrantes de Israel, da ex-União Soviética e da Índia. Estes últimos, atualmente detentores do comércio de pedras menores, vendem seus produtos através de programas de televisão.

Apesar dos chineses e indianos predominarem no comércio de diamantes em Hong Kong, os judeus também participam ativamente desse mercado. Cerca de 80% dos cortadores, polidores e negociantes de Antuérpia são judeus, incluindo muitos ultra-ortodoxos. Segundo Eddy Sterngold, que cresceu ao redor da área onde está o distrito de diamantes da cidade, a região é como um shtetl, cheia de pequenas sinagogas. Atualmente, Antuérpia é mais importante como centro de comercialização de pedras brutas e lapidadas, sendo que cerca de três quartos das pedras compradas e vendidas na cidade foram cortadas e polidas principalmente em Israel e na Índia. Lá, também, a exemplo do que acontece em outros lugares, os negócios são fechados com duas palavras em hebraico: Mazal u-brachá.


Bibliografia:
Losing its Sparkle, artigo publicado em The Jerusalem Report



Israel na rota dos diamantes

Os diamantes fazem todo mundo sonhar, principalmente as mulheres. Alguns ganham notoriedade mundial e se perpetuam através dos tempos como lendas, entre estes, está o Koh-i-Noor – Montanha da Luz. No entanto, por trás desse sonho, está uma realidade que integra os segmentos industrial e comercial. Um dos líderes internacionais da indústria de diamantes lapidados – responsável por cerca de 70% da produção mundial, Israel aspira ser, ao lado de Antuérpia, na Bélgica, um dos principais mercados de negociação de matéria-prima bruta e pedras polidas.

Desde 1937, quando foi inaugurada a Bolsa de Diamantes de Israel, em uma pequena casa em Tel Aviv, muitos passos foram dados no sentido de consolidar a posição do país no mercado internacional. A sede inicial foi transferida para um complexo de quatro edifícios, no subúrbio de Tel Aviv, cujas torres erguem-se imponentes em direção ao céu da cidade. No mesmo local está também situado o Museu Harry Oppenheimer de Diamantes, inaugurado em 1986, órgão vinculado ao Instituto de Diamantes de Israel.

A Bolsa de Diamantes de Israel, cujas torres são chamadas de Shimshon, Noam, Maccabi e Diamond, está cercada por um rígido sistema de segurança. O acesso às dependências internas é permitido apenas para compradores e vendedores e os portões eletrônicos sucedem-se uns após os outros, com inúmeros detetores de metais e de diamantes permanentemente ligados. São cerca de 1.200 escritórios para transações, além de restaurantes, correios, um ambulatório para emergências e outras dependências.

Até 1998, Israel se caracterizava como centro industrial e comercial de diamantes lapidados. Nesse ano, no entanto, foi inaugurada a Bolsa de Diamantes Brutos com um objetivo bem definido: atrair os grandes produtores mundiais levando-os a negociar sua matéria-prima no país. Em 1997, Israel importou cerca de US$ 3,8 bilhões de pedras brutas, dos quais US$ 1,1 bilhão foram comprados da De Beers, responsável por cerca de 80% da distribuição mundial. O restante foi negociado através da Bolsa de Antuérpia. O objetivo de Israel é conseguir atrair pelo menos 15% a 30% dos negócios para o país, diminuindo, assim, a ação dos intermediários e, conseqüentemente, reduzindo o preço da matéria-prima e a dependência das bolsas internacionais.
Atualmente, Israel compra mais da metade da produção mundial de diamantes brutos através da Associação das Indústrias de Diamantes do país (DMA). Fundada em 1944, a DMA visa o desenvolvimento do setor junto ao comércio internacional. Mantém o Instituto de Diamantes de Israel, que oferece programas de treinamento de mão-de-obra, além de um laboratório de Gemologia, que garante o alto padrão de qualidade da lapidação israelense.

Israel possui, também, um grande centro de lapidação na cidade de Natânia, aberto ao público para visitas e compras no varejo, sendo um ponto importante nos roteiros turísticos do país.
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