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Geograficamente bem posicionado, o porto de Beirute, no Líbano, transformou-se num importante centro, por onde mercadorias facilmente se escoavam e de onde peregrinos-cristãos – europeus e americanos – iniciavam trajetória em direção às cidades santas. O cosmopolitismo de Beirute atraía os que se sentiam marginalizados e perseguidos no Oriente Médio. A maior parte dos cristãos – maronitas, católicos e ortodoxos – residia na cidade. Judeus-orientais de Sidon, Damasco, Alepo, Safed, Jerusalém e outras cidades buscaram Beirute quando as manifestações do nacionalismo árabe recrudesceram no Oriente Médio. A população judaica da cidade exigiu o funcionamento de três grandes sinagogas e de 12 menores. A Alliance Israélite Universelle, com os seus 1.200 alunos, e outras escolas serviram a comunidade que, na década de 40, atingiu um número aproximado de 6 mil judeus.

O Egito, no nordeste da África, distante de Istambul, declarou-se, em 1768, no governo de Ali Bey, independente do Império Otomano. A institucionalização da proteção aos judeus por Mohamed Ali, em meados do século XVIII, levou a que as cidades de Alexandria e Cairo se transformassem em centros de recepção de judeus de todas as origens. Napoleão Bonaparte, comandante das tropas francesas de 1798, tomou o Egito e o modernizou, construindo hospitais e escolas onde se ministrava a educação francesa. A abertura do Canal de Suez, em 1869, ampliou o processo de ocidentalização do país. Suas cidades se transformaram em grandes centros comerciais, atraindo grande número de negociantes europeus, entre os quais os ashquenazim. No ano de 1947, às vésperas do nascimento do Estado de Israel pela ONU, viviam no Egito 60 mil judeus atendidos por 45 sinagogas, 15 em Alexandria e 30 na cidade do Cairo. O extremismo e o panarabismo de Nasser, governante egípcio da década de 50, impediram a manutenção das comunidades judaicas, levando toda a população judaica a um novo êxodo. Nessa nova diáspora, grande número de famílias escolheu, na América do Sul, a cidade de São Paulo.

Notas:

(1) Autora do “A Inquisição no Brasil”: Trajetória de vida de um capitão-mor judaízante. São Paulo: CEJ da USP, 1984 e Lembranças.... Presente do Passa- do (org). São Paulo: Hebraica, 1996. As idéias do artigo foram extraídas da tese de doutorado apresentada ao Departamento de História da USP, sob o título: “Primeiras comunidades judaicas do Oriente Médio em São Paulo e no Rio de Janeiro“.

(2) Issachar Ben Ami. Sefaradi: Aculturação e Assimilação. In: Ibéria Judaica, Roteiros da Memória. São Paulo: EDUSP, 1996.

(3) Veja Revista Morashá, abril de 1995. Veja Revista Morashá, abril de 1995.
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