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Foto Ilustrativa
No período medieval, os otomanos, conquistando o Império árabe, absorveram numerosas comunidades judaicas, entre as quais a dos moçárabes do Oriente Médio, modernamente conhecidos como judeus-orientais.
| Edição 33 - Junho de 2001 |
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Diferenciando-se em muitos aspectos dos sefaradim, em especial pelo ladino (misto de palavras espanholas, portuguesas, hebraicas, árabes e turcas), os judeus-orientais se comunicam em árabe. Além da língua, outras diferenças marcam esses dois grupos, genericamente conhecidos como sefaradim.
No período em que os sefaradim atingiram na Península Ibérica expressividade cultural (séculos XI ao XIV), eminentes cientistas judeus das ciências matemáticas e náuticas produziram estudos teóricos, cartas geográficas e instrumentos de navegação que permitiram ao mundo europeu ocidental transpor, por via marítima, seus limites geográficos. Os Grandes Descobrimentos Marítimos empreendidos por portugueses e espanhóis inauguraram uma nova era, a Idade Moderna, reveladora das transformações políticas, econômicas, sociais e culturais na Europa.
Apesar do significado cultural, os sefaradim, depois de dramaticamente sobreviver às diversas tentativas de conversões forçadas, foram expulsos da Península Ibérica. A partir de 1492, grande número desses judeus dispersou-se por terras do Mediterrâneo. Os otomanos, que detinham jurisdição sobre os Bálcãs, o Norte da África e o Oriente Médio, receberam abertamente os sefaradim em seus domínios.
Logo que se instalaram nas vastas regiões do Império Otomano, os sefaradim entraram em contato com as antigas comunidades judaicas de origens culturais diversas. O encontro provocou estranhamen-tos recíprocos, fenômeno que ocorreu em cada região onde os judeus ibéricos foram acolhidos. Provenientes de uma sociedade diferenciada, a comunidade dos expulsos era melhor estruturada e de nível cultural mais elevado. Estas circunstâncias levaram a que exercessem influência dominante sobre os judeus de outras origens e em várias áreas.
Apesar da determinação sefaradi em manter a identidade ibérica, especialmente pela preservação do ladino, constatou-se que houve nos domínios otomanos três processos distintos da interação: a assimilação total dos exilados com os autóctones; preservação completa ou parcial da cultura dos exilados; e, finalmente, a influência direta e recíproca entre os dois grupos(2). Embora a velocidade desses processos dependesse de variáveis presentes nos diferentes espaços geográficos, o sistema otomano das Millet favoreceu a manutenção das diferenças culturais.
No início do século XX, viviam no Império Otomano 400 mil judeus. Representavam a quinta maior comunidade do mundo, depois de Rússia, Austro-Hungria, Estados Unidos e Alemanha. No conjunto numérico, incluem-se os ashquenazim europeus que, atraídos pela tolerância, transferiram-se, desde o século XVI, para os domínios otomanos fugindo das discriminações anti-semitas, sempre presentes nas terras européias. Esses judeus, de biotipo diferente, comunicavam-se em iídishe (mescla de vocábulos alemães, eslavos e hebraicos) e, no geral, assimilaram-se ou acomodaram-se na estrutura social otomana, relacionando-se com judeus de melhor status, formando associações comerciais familiares, mutuamente vantajosas.
A investida do neo-colonialismo europeu no Oriente Médio, no século XVIII, provocou a gradual quebra do sistema das Millet. Os judeus das principais cidades do Império Otomano passaram a viver em quarteirões, mantendo-se unidos em função da coleta de taxas, da manutenção da ordem e da moralidade comunitária. Os limites desses quarteirões não eram bem definidos e a concentração populacional no espaço era voluntária, objetivando a salvaguarda da religião e da vida social judaica. Embora os judeus se concentrassem em bairros, era possível encontrar famílias de judeus vivendo em outros locais, segundo seus interesses particulares. |
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