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Por outro lado, há também uma competitividade muito perigosa entre os países e os pesquisadores. Quem será o primeiro a ganhar a fama e a glória de conseguir uma clonagem humana? D’us nos livre que os fins justifiquem os meios.

Mas o maior perigo que o judaísmo vê na clonagem humana é o fato de poder colocar filhos no mundo sem a necessidade de uma família ao seu redor, o que é muito grave. De acordo com o judaísmo, é preciso amar o próximo como a si mesmo, dar a ele a possibilidade de uma vida digna e saudável. Todos concordam que os recém-nascidos, as crianças e os adolescentes precisam dos pais para educá-los. Precisam de calor humano e precisam das figuras masculina e feminina que vão formar o seu caráter, dar-lhes a segurança e os valores necessários à vida adulta. Por esta razão temos de tomar muito cuidado ao trazer ao mundo filhos que não vão ter, necessariamente, pais, já que é possível clonar uma célula a partir de uma mulher, ou da própria mulher e assim por diante. Aliás, o problema de filhos crescerem sem os pais ocorre também com a utilização da técnica da fertilização in vitro. A ciência e a tecnologia não estão muito longe de criar e fabricar um útero artificial em que seja possível abrigar o feto até o nascimento. Neste caso, vamos ter um bebê de proveta na acepção da palavra, desde o início até o fim, sem pais que acompanhem a gravidez e aguardem o nascimento dessa criança. Temos aqui graves riscos para a sociedade. Imagino até se alguns iriam usar a técnica para fins comerciais, políticos ou outros, D’us nos livre. É obrigação de todos os homens ligados à moral e às leis da sociedade, incluindo os homens de halachá, os grandes sábios judeus, proclamar de forma clara e objetiva que criar crianças sem pais é um pecado grave com conseqüências absolutamente devastadoras para a sociedade, a moral e a ética. A sociedade deve proibir tal procedimento da melhor forma possível com uma legislação que envolva sanções apropriadas.

Rabino, o Sr. frisou bastante as falhas da clonagem humana; mas e no caso de a ciência conseguir, daqui a alguns anos, que a clonagem seja tão perfeita como a reprodução natural? Será que isto continuará sendo contra a vontade Divina?
O homem não pode fazer nada que vá de encontro às leis da natureza. Se a clonagem genética obtiver sucesso com seres humanos, é uma prova de que a leis das natureza criadas por D’us no Seu mundo permitem que isto ocorra. Em outras palavras, a própria técnica da clonagem não está proibida em nenhum lugar, nem na Torá, nem no Talmud. Por esta razão, não há motivo para crer que seja contrária à vontade Divina. E se for, realmente, bem-sucedida, podemos considerar como um sinal de que deve haver algo de positivo nisso, algo que poderá ser usado para o bem.

No Talmud (Sanhedrin 38a) encontramos o seguinte: “Veja a diferença entre o Rei de todos os reis e o ser humano: o homem, quando estampa uma moeda a partir de um molde, obtém-nas todas iguais; mas D’us, o Todo-Poderoso, estampou todos os seres humanos a partir do molde de Adão, o primeiro homem, e não há um homem igual ao seu semelhante”. O Talmud se estende, dizendo que é a vontade de D’us que os homens sejam diferentes a fim de nos proteger de incestos, roubo etc. Quando aceitamos que a peculiaridade de cada ser, de cada criatura, é realmente um dos objetivos básicos do Criador, percebemos que a clonagem contradiz este princípio.

Por outro lado, não podemos esquecer que a clonagem pode ser a solução para muitos casais estéreis. Vários casais que não têm filhos por causa da esterilidade do marido poderiam, mediante a utilização de uma célula adulta, ter um filho. Não desconhecemos a dor que um casal experimenta ao não poder ter filhos e, com certeza, o judaísmo leva tal sofrimento em consideração. Sabemos também dos graves problemas haláchicos e emocionais que decorrem de tratamentos, biópsias e injeções de hormônios. Sem dúvida, a clonagem pode vir a se tornar a solução para tudo isto. Do ponto de vista da halachá, a clonagem (tão somente de uma célula do marido e do óvulo da esposa) pode vir a ser muito mais aceitável do que a fertilização in vitro, uma vez que essa envolve muitos problemas haláchicos.

Como expus acima, se a clonagem obtiver sucesso é porque deve ter o seu lado positivo. Aparentemente, este lado positivo será ajudar os casais sem filhos, contanto que sempre ocorra uma clonagem homogênea de uma célula do marido para a própria esposa, bem diferente das teorias atuais de armazenar peças de reposição a partir de embriões etc. Mesmo quando o sucesso chegar, teremos de consultar e ouvir as opiniões dos grandes rabinos, das autoridades rabínicas competentes no assunto.
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