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Todos os cientistas são unânimes em afirmar que dos 100 primeiros embriões humanos clonados e implantados em várias mães de aluguel, 98 serão abortados espontaneamente por causa das anomalias genéticas. E mesmo que nascessem, seriam seres alterados, com um peso bem maior do que o normal, portadores de problemas cardíacos, circulatórios, com pulmões subdesenvolvidos, diabetes e outras insuficiências. Por esta razão, não apenas os humanistas como também os cientistas, concordam que tentar aplicar e testar em seres humanos uma tecnologia perigosíssima, que ainda não é dominada, é um ato criminoso. Até mesmo em uma situação onde um casal esteja tentando fazer uma “cópia”, uma clonagem de uma criança falecida prematuramente, é ilógico que uma criança falecida “gere” muitas outras crianças ou embriões mortos. Para alcançar este objetivo seria preciso destruir muitos embriões humanos que, conforme o judaísmo, já têm vida.

No que diz respeito ao segundo tipo de clonagem, a terapêutica, a ciência afirma que é a grande promessa em matéria de clonagem. Não se trata de “copiar” aqueles que faleceram, mas salvar os que estão doentes. Sabemos que a técnica consiste em fabricar embriões geneticamente idênticos à pessoa em tratamento e tais células troncos, como são chamadas, após serem cultivadas, poderão ser induzidas a formar células cardíacas, pancreáticas, cerebrais etc. Isto, obviamente, poderia ajudar no tratamento do Mal de Parkinson e outras doenças. Porém para nós, judeus, este procedimento é imoral e absolutamente inaceitável. Existem inúmeras objeções morais a respeito, pois o ser humano não pode ser visto apenas como um depósito de peças avulsas. Fiquei profundamente chocado ao ler que um cientista teria dito que, afinal, “o embrião não passa de um amontoado de células, de uma pequena bola, menor do que a cabeça de um alfinete”. Desde quando a vida tem tamanho? Se é grande ou pequena, é uma vida! Um embrião existe para gerar filhos, bebês, e não para fabricar peças de reposição. Quem sabe quantos embriões vamos ter de “matar” para obter uma célula tronco? Teremos, no processo, uma matança maciça de embriões, D’us nos livre.

Será que as legislações e a moral das nações estão prontas para este passo?
Sem dúvida, a ciência evoluiu em um ritmo de acúmulo de conhecimentos e isto não depende, necessariamente, de princípios morais. Muitas vezes o conhecimento está desvinculado da ética adequada. Assim, já que estamos vendo que, mesmo na clonagem animal, menos de 3% de todos os esforços obtiveram êxito, e que a clonagem humana pode gerar anomalias genéticas perigosas para a vida além de outros problemas imprevisíveis, não há duvida que as nações deveriam proibi-la. Muitos países, como por exemplo os E.U.A., proibiram qualquer ajuda financeira federal à pesquisa na área de clonagem humana. O Brasil, me parece, também proíbe esta tecnologia.

Não podemos pisar em cima de bebês mortos ou deformados somente para a glória de alguns cientistas obcecados em obter fama mundial. Isto é muito perigoso. Por outro lado, do ponto de vista legislativo, também acho que as nações não estão preparadas para a clonagem. Várias perguntas ainda perduram. Por exemplo, quem seria o dono do DNA dos filhos? O pai ou a mãe? Isto, no caso de um dos dois não querer fazer a clonagem. Ou então, como deve proceder alguém que não queira ser clonado? Dependeria do seu testamento ou deveria constar na sua carteira de identidade? E o que aconteceria se realmente nascessem pessoas com graves anomalias? Se nascerem com metade de um rim ou sem sistema imunológico, quem seria o responsável? De acordo com a lei, a grande questão que os legisladores enfrentariam seria, certamente, saber quem é a mãe da criança clonada. Neste caso, vejo cinco possibilidades: a) aquela que deu à luz (no caso de utilizar uma barriga de aluguel), b) aquela que forneceu o óvulo vazio, c) aquela que deu o núcleo com todas as informações genéticas, caso fosse uma mulher, d) todas as três que participaram parcialmente, ou parte delas, ou e) nenhuma delas, já que cada uma exclui a outra. Estamos percebendo várias dúvidas! Uma outra situação ocorreria caso uma mulher resolvesse se autoclonar. Ela utilizaria o seu núcleo com o seu respectivo óvulo esvaziado. A questão é: essa mulher teria a função legal de pai e mãe?

Tudo isto pode ter conseqüências em matéria de responsabilidade, herança etc. De acordo com a Lei judaica, o homem que der o núcleo de sua célula para a clonagem será considerado o pai da criança. Não fará diferença se a procriação ocorrer mediante uma célula reprodutiva (o sêmen) ou por meio de uma célula adulta. Assim, não caberá recorrer a um outro judeu que não seja o marido, pois mesmo que não tenha havido adultério (uma vez que não houve relacionamento), permanece a suspeita de que esta criança possa vir um dia a se casar com a sua meia-irmã, já que o seu pai é o doador do núcleo, podendo ele ter também outros filhos biológicos.

Na sua opinião, quais são os perigos da clonagem humana?
Há o perigo óbvio de que os neonazistas, saudosos da guerra, queiram clonar Hitler ou um outro anti-semita. Mas, é claro, existem outros perigos. Por exemplo, falamos antes que no processo haverá muitos fetos mortos. Para concretizar a clonagem são necessários muitos óvulos. A clonagem terapêutica precisa de muitas células troncos retiradas de embriões. O que pode vir a acontecer com o tempo é o comércio, um grande comércio de óvulos e de embriões. Todos os restos de embriões provenientes das clínicas de fertilização poderiam ser comercializados, D’us nos livre. O pior de tudo, sem dúvida, é que o ser humano passaria a ser tratado como matéria-prima barata. Como disse o cientista francês, Professor Axel Kahn, é preciso ficar bem claro que “um embrião não serve para criar um gatinho; o embrião existe para criar um bebê, um ser humano”. Reduzir o homem à condição de matéria-prima, um simples depósito de peças, como se fosse um automóvel ou uma máquina, motivaria um comércio absolutamente assustador.
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