CLONAGEM HUMANA


Foto Ilustrativa

Já que este assunto é muito complexo e comentado, submetemos dez perguntas essenciais ao Rabino David Weitman a fim de conhecer a sua opinião sobre a relação existente entre a clonagem e o judaísmo.


Edição 33 - Junho de 2001
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Quatro anos após o nascimento da ovelha Dolly, a clonagem de mamíferos é uma realidade incontestável. Será que tal realidade contradiz a fé judaica?
É verdade que Dolly se tornou o símbolo da clonagem animal, mas é bom lembrar que este campo de análise não é perfeito ainda. Todas as tentativas de clonar macacos, primatas, fracassaram; até o momento, mostraram-se infrutíferas. Vemos, então, que a técnica utilizada ainda está longe da perfeição, mesmo quando aplicada em animais.

Agora, se isto contradiz a fé judaica, a resposta é não, de forma alguma. Parece-me que a grande novidade na tecnologia da clonagem é o fato de que, pela primeira vez na ciência moderna, descobriu-se um meio de originar uma criatura sem a necessidade do macho. Para tanto, basta possuir o núcleo de uma célula até de uma mulher e inseri-lo em um óvulo. Se observarmos atentamente as fontes judaicas, veremos que esta “novidade” já está prevista em nossos livros. Maimônides, grande legislador e filósofo do século XII, escreve em sua obra Sefer HaMitsvot (lei proibitiva nº.- 179): “Aqueles que pensam que formigas ou insetos não podem ser gerados do apodrecimento dos alimentos são ignorantes, pois não possuem conhecimento científico bastante e imaginam que as espécies apenas podem procriar-se quando há macho e fêmea.”

Vemos, então, que apesar de Maimônides abordar um tema com que os cientistas atuais não concordam (a geração espontânea), isso não subtrai nada do vigor de suas palavras, de que existe a possibilidade de procriação sem o elemento masculino. Ou seja, Maimônides não se preocupou se este fato contradizia a Torá ou a fé judaica. Aliás, também o Rabi Menachem Meiri (século XIII) escreve em seu comentário ao Talmud (Sanhedrin 67b) o seguinte: “Tudo o que é feito de forma natural não está sujeito à proibição de feitiçaria. Mesmo que consigam criar belas criaturas sem recorrer ao acasalamento — como a ciência sustenta ser possível — é permitido fazê-lo, porque este é um caminho natural.” Percebemos aqui não haver dúvidas sobre a possibilidade da geração de uma criatura desta forma, uma vez que D’us, na verdade, participa do milagre e da grande maravilha do nascimento. E isto pode ocorrer de várias maneiras, quer um nascimento normal, quer uma outra forma de concepção. Este fato não contradiz o judaísmo. A pergunta que tem de ser feita é se esta seria a vontade do Criador, já que há muitas tecnologias que Ele não deseja que utilizemos. Nem tudo o que é possível é o que D’us quer.

Qual a sua opinião sobre a clonagem de seres humanos?
Não há dúvida que a grande discussão a respeito da clonagem não envolve a sua aplicação em animais, mas sim em seres humanos. Existem dois tipos de clonagem: a clonagem da reprodução, que procura auxiliar casais que não têm filhos há muitos anos, buscando oferecer-lhes esta possibilidade. Há também a clonagem terapêutica. Recentemente, foi muito divulgada quando dois médicos, um italiano e outro americano, anunciaram que estavam aproximando-se da clonagem humana. É muito importante entender, e talvez pouca gente o saiba, que para chegar à ovelha Dolly foram utilizados 276 óvulos, dos quais apenas 29 sobreviveram. Estes foram introduzidos no útero de várias ovelhas e, dos 29 embriões, somente Dolly conseguiu nascer saudável. Assim, testar conhecimentos em seres humanos é algo muito perigoso, algo realmente gravíssimo, porque sabemos que se trata de uma técnica que pode resultar em uma grande quantidade de abortos, fetos deformados ou natimortos.
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