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A primeira fase da revolta judaica surgiu como um movimento espontâneo, sem nenhum planejamento prévio e sem objetivos políticos determinados. Os judeus apenas não queriam desrespeitar o Shabat e começaram a procurar esconderijos onde pudessem fazer suas preces e cumprir os rituais. O mesmo era feito por aqueles que desejavam fazer a circuncisão em seus filhos: procuravam esconderijos. No entanto, os romanos acabaram descobrindo essa tática e foram matando os judeus à medida que localizavam tais locais. A perseguição contínua levou os judeus a organizar uma resistência coordenada.

Foi a partir desta fase que a liderança de Bar Kochba assumiu um papel preponderante. De atacados, os judeus passaram a atacantes. Ele organizou os pequenos grupos em companhias regulares de combate e, gradualmente, foi expulsando as tropas romanas de suas posições. Cerca de três anos após o início da revolta, Bar Kochba comandou seus soldados em direção a Jerusalém, reconquistando a cidade de onde, com o título de Nassi, príncipe, proclama o restabelecimento da independência do Estado Judeu. Moedas cunhadas na época (132) trazem símbolos religiosos judaicos e inscrições como: “Segundo ano da Liberdade de Israel”, Libertação de Jerusalém”.

A derrota fez com que o Império reavaliasse a gravidade da situação e a ameaça que a vitória judaica representava para o seu poderio. A partir de então, o imperador Adriano mandou seus melhores generais e legiões para a luta. Nada menos de que 10 regiões, com cerca de 100 mil homens com equipamentos sofisticados. Ao invés de atacar diretamente as unidades de Bar Kochba, os romanos avançaram sobre as cidades mais isoladas controladas pelos judeus e interromperam o fornecimento de alimentos a Jerusalém. Gradativamente, as legiões de Adriano reassumiram o controle sobre os arredores, preparando-se para desfechar um ataque definitivo à cidade.

Mesmo com a derrota em Jerusalém, Bar Kochba não encerrou a revolta, retirando-se com algumas unidades para a cidade de Betar. A luta estendeu-se por mais três anos e meio, aproximadamente. Após algumas vitórias iniciais, começaram as perdas. Dizem os sábios que a queda de Bar Kochba foi consequência de sua falta de humildade, atribuindo suas vitórias a seu próprio talento, e do seu afastamento dos princípios e das leis da Torá. Segundo os sábios, em Betar, Bar Kochba acusou seu tio, Rabi Elazar Ha-Modaí, de traição, matando-o em um acesso de raiva. Neste momento, uma voz dos Céus afirmou: “Você matou rabi Elazar Ha-Modaí, o braço forte e o olho direito de Israel. A partir de então, seu próprio braço definhará e seu olho direito se escurecerá” (Talmud Yerushalmi, Taanit 4:5).

Em seguida, Betar foi invadida e conquistada pelos romanos, que deixaram um rastro de sangue, massacrando milhares de judeus, destruindo milhares de assentamentos e assassinando Bar Kochba. Era o dia 9 de Av.

Desde então, novas tragédias marcaram a história judaica e da humanidade em 9 de Av: em 1492, os judeus foram expulsos da Espanha; em 1914 iniciou-se a Primeira Guerra Mundial; em 30 de julho de 1940, Himmler apresentou ao Partido Nacional-Socialista da Alemanha a “Solução Final” para o “problema judaico”; e, em 1942, os nazistas começaram a deportação dos judeus do Gueto de Varsóvia, na Polônia.


Bibliografia
Tishah B’Av – Texts, Readings and Insights / A Presentation Based on Talmudic and Tradicional Sources – Mesorah Publications, Ltd.
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