A BATALHA DE BETAR


Foto Ilustrativa

Foi em Betar que se travou a última batalha entre os judeus liderados por Bar Kochba e as legiões romanas de Adriano. Milhares de homens, mulheres e crianças foram assassinados para encerrar uma revolta que durou mais de nove anos.


Edição 33 - Junho de 2001
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A data de 9 de Av – Tisha B’Av – é marcada por uma série de eventos trágicos
da história do povo judeu. Foi neste dia que os babilônios destruíram o Primeiro Templo, em 587 antes da era comum; que o Segundo Templo foi destruído pelos romanos, no ano 70 da era comum. Foi nesta data, ainda, no ano de 135 da era comum, que a cidade de Betar, próxima a Jerusalém, que se encontrava sob o comando de Bar Kochba, foi arrasada pelas tropas do imperador romano Adriano. Os romanos mataram milhares de judeus – homens, mulheres e crianças – que lutavam contra as determinações do imperador proibindo-os de seguir os preceitos básicos do judaísmo.

A série de eventos que levou à revolta liderada por Bar Kochba e à queda de Betar começou no ano de 117 da era comum, quando o então governador da Síria, Adriano, tornou-se soberano do Império Romano. Quando assumiu o trono, prometeu aos judeus liberdade e tolerância religiosa. Mais do que isso, garantiu que lhes daria permissão para reconstruir Jerusalém e restaurar os serviços religiosos no Templo. Mas, em pouco tempo, Adriano provou que suas promessas haviam sido apenas palavras vazias, mudando de maneira dramática sua política em relação aos judeus.

O imperador realmente determinou a reconstrução de Jerusalém, mas esta não seria mais uma cidade judaica; e o templo que seria construído seria dedicado à adoração de Júpiter. Este fato foi narrado pelo historiador Dio Cassius, que viveu cerca de um século após a revolta de Bar Kochba. Cassius assim escreveu: “Em Jerusalém, Adriano fundou uma cidade sobre a que havia sido arrasada, chamando-a Aelia Capitolina – Aelia em homenagem ao seu próprio nome, Publius Aelius Hadrianus, e Capitolina em honra a Júpiter, cujo templo em Roma fora erguido sobre o Monte Capitolene. No local do Templo em Aelia Capitolina, mandou erguer um santuário para Júpiter. Este fato levou à guerra, pois os judeus não toleraram que estrangeiros se instalassem em sua cidade e ali construíssem seus templos” (História de Roma, capítulo 69).

No período em que esses fatos ocorreram, a liderança religiosa era exercida em Eretz Israel pelo Sanhedrin, que fora restabelecido na cidade de Usha depois que os romanos haviam obrigado os sábios a abandonar a cidade de Yavneh. O líder deste novo núcleo espiritual era o Rabi Akiva, apesar de o sábio mais velho ser o Rabi Yeshoshua ben Chanaya, universalmente respeitado por sua grande fé e sabedoria. A atitude adotada por Adriano e as medidas por ele anunciadas – entre as quais a proibição do estudo da Torá, da prática do Shabat e da circuncisão, além da construção de Aelia Capitolina onde outrora fora Jerusalém – provocaram a revolta dos judeus.

Eram esses preceitos que garantiam ao povo judeu a sua singularidade, protegendo-os da assimilação. Ainda que fosse para defender tais preceitos, não havia consenso entre os sábios. Alguns, como o rabino Chanaya, defendiam a calma e o controle, evitando o confronto direto com os romanos; outros preferiam a luta. Entre estes últimos estava Bar Kochba. A revolta que ele liderou durou nove anos e passou por várias vitórias até chegar à derrota total.

Segundo o historiador Eli Birnbaum, poucas personalidades do judaísmo foram tão enigmáticas e controvertidas quanto Bar Kochba, cujo nome de nascença era Simon Bar Cosiba. Para alguns estudiosos, foi um herói que, apesar da situação desesperadora, tentou unir o povo judeu e derrotar a opressão de Roma. Para outros, foi um indivíduo egocêntrico com ilusões messiânicas de grandeza. Birnbaum afirma que há poucas informações escritas sobre Bar Kochba e as mais conhecidas estão nos Documentos do Deserto da Judéia, encontrados pelo arqueólogo, general e político israelense Yigal Yadin, nos quais estão textos de Dio Cassius e de Eusebius, um historiador da Igreja.

Não há dúvida, no entanto, que a saga de Bar Kochba está intrinsecamente ligada a Rabi Akiva, o grande sábio. Foi justamente o apoio que recebeu deste sábio o que deu a Bar Kochba o poder e a força para organizar a revolta contra o Império Romano. Foi Rabi Akiva quem mudou o seu nome para Bar Kochba, que significa “filho de uma estrela”. O sábio acreditava que Bar Kochba tinha potencial para se tornar redentor do povo, se agisse corretamente e se rendesse aos desejos Divinos. Dizem os estudiosos, no entanto, que Bar Kochba não correspondeu às expectativas de Rabi Akiva. Sob o aspecto militar, no entanto, Bar Kochba foi um grande comandante.
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