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Mencionam, ainda, um encontro entre o embaixador sueco em Moscou, Staffan Soderblom, e o líder soviético Stalin, em 15 de junho de 1946, durante o qual o nome de Wallenberg sequer fora mencionado, pois Soderblom estava convicto de que este morrera em Budapeste.

As autoridades da Suécia também não parecem muito satisfeitas com a atual posição russa. Logo após a divulgação do relatório dos historiadores, o primeiro-ministro sueco Goran Persson desculpou-se com os familiares do Wallenberg por erros eventualmente cometidos durante este caso. Persson afirmou que a busca de informações deverá continuar, pois deve-se partir do princípio de que ele não morreu em 1947.

A posição do governo da Suécia foi dúbia durante décadas, tanto que o primeiro monumento dedicado a Wallenberg foi inaugurado em uma área pública somente em 1998. É uma estátua de bronze, localizada em um subúrbio de Estocolmo.

Coragem e determinação

Quando Raoul Wallenberg assumiu o cargo de secretário da missão sueca em Budapeste aos 32 anos, em junho de 1944, os exércitos de Hitler já tinham aniquilado a maioria das mais importantes comunidades judaicas da Europa, com exceção da de Budapeste, que um dia tivera 700 mil membros. Em julho de 1944, 400 mil judeus – homens, mulheres e crianças – já tinham sido deportados para os campos de morte no sul da Polônia; 230 mil ainda estavam na cidade.

Enquanto Adolf Eichman formulava os planos para intensificar as deportações em massa, com operações diárias, o jovem diplomata sueco empenhava-se para impedir a morte de milhares de seres humanos pelos carrascos nazistas. Tendo recebido autorização do Ministério das Relações Exteriores da Suécia para emitir 1.500 passaportes para judeus, conseguiu elevar esta cota para 4.500 e, no final, triplicou os números. Wallenberg montou uma equipe de 400 funcionários - dos quais 250 eram judeus - para atender a demanda. Ele próprio não dormia mais do que quatro horas por noite.

O diplomata instalou hospitais, berçários, cozinhas coletivas e casas seguras através de Budapeste para ajudar os judeus. Intercedeu pessoalmente junto aos nazistas para impedir as deportações em massa, como ocorreu em dezembro de 1944, quando soube que os alemães pretendiam matar os 70 mil judeus que ainda viviam no gueto central de Budapeste.

Ele entrou em contato com o general alemão August Schmid-thuber, um comandante da SS, e pediu-lhe que não desse continuidade aos seus planos. Wallenberg ameaçou-o, dizendo que faria tudo para garantir que o militar fosse enforcado como criminoso de guerra se o massacre ocorresse. Schmid-thuber ordenou que os planos fossem suspensos. Com esta atitude, Wallenberg conseguiu salvar 70 mil pessoas. Segundo fontes húngaras, durante os seis meses em que atuou em Budapeste o diplomata sueco foi responsável pela sobrevivência de 100 mil judeus, seja emitindo passaportes, ajudando os prisioneiros a saírem dos trens da morte e distribuindo alimentos e medicamentos.

Os esforços de Wallenberg em prol dos judeus húngaros foram reconhecidos pelo Estado de Israel, que determinou a plantação de uma árvore em sua homenagem no Bosque dos Gentios, dedicados aos não-judeus que ajudaram a salvar vidas judias das perseguições nazistas.

Dados pessoais

Raoul Wallenberg nasceu no dia 4 de agosto de 1912, em Estocolmo, no seio de uma família de prestígio na Suécia e no exterior. Seu pai morreu vítima de câncer três meses antes de seu nascimento e tinha sido um oficial da Marinha do país. Seu avô fora embaixador no Japão e seus tios, Jacob e Marcos, eram banqueiros, tendo fundado o Banco Enskilda, na Suécia. Outros membros de sua família foram bispos da Igreja Luterana e diplomatas.

Sua mãe, Maj Wising de solteira, também vinha de uma família tradicional. Seu pai foi o primeiro professor de neurologia do país e seu bisavô foi um judeu de nome Benedicks, que imigrou para a Suécia, onde se tornou joalheiro e, eventualmente, assessor financeiro do rei. Quando Wallenberg tinha seis anos sua mãe casou-se com Frederick Von Dardel e teve mais dois filhos, Nina e Guy.

Em 1930, Wallenberg formou-se no curso médio, com especialização em Desenho e Russo, ingressando na Universidade de Michigan no ano seguinte. De 1934 a 1935 viajou pela África do Sul e, em 1936, foi a Haifa, retornando à Suecia no mesmo ano para começar sua carreira na Companhia Central Européia de Comércio, onde atuou até assumir a missão em Budapeste.
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