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Foto Ilustrativa
Mais de 50 anos depois, o enigma do desaparecimento de Raoul Wallenberg ainda não foi solucionado de maneira a satisfazer todas as partes envolvidas, principalmente os seus familiares e as autoridades suecas, apesar de dois relatórios divulgados no final do ano passado sobre o caso.
| Edição 32 - Abril de 2001 |
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Em 22 de dezembro de 2000, Moscou, anunciou oficialmente que o diplomata sueco Raoul Wallenberg, responsável pelo salvamento de milhares de judeus da Hungria, durante a Segunda Guerra Mundial, seria reabilitado. O governo da Rússia, ex-parte da União Soviética, reconheceu, também, que Wallenberg foi preso em 17 de janeiro de 1945 por membros do serviço de inteligência soviética em Budapeste, capital da Hungria, juntamente com seu motorista Vilmos Langfelder, quando a cidade foi libertada da dominação nazista. Ainda segundo o governo russo, o diplomata sueco foi mantido em cárcere por cerca de dois anos e meio, sendo então executado com seu motorista em 1947. Por razões políticas, ambos teriam sido vítimas dos expurgos do regime de Stalin. Wallenberg foi detido sob acusação de espionagem a favor dos americanos.
Segundo as autoridades russas, a reabilitação veio de encontro a uma solicitação feita pelo Gabinete de Promotoria Militar, que teria estudado vários arquivos e concluído que Wallenberg e seu motorista foram vítimas dos expurgos e, por isso, estariam dentro dos requisitos das Leis de Reabilitação das Vítimas da Repressão Política, de 1991. Segundo o comunicado da Promotoria Geral da Rússia, os dois suecos foram enviados à prisão de Lefortovo, da KGB, em Moscou. Alexander Yakovlev, coordenador da Comissão Presidencial Para Reabilitação das Vítimas da Repressão Política, afirmou que apesar dos documentos sobre o Caso Wallenberg não estarem disponíveis há fortes evidências que permitem concluir que o diplomata foi morto com um tiro.
Com essa iniciativa, as autoridades russas têm como objetivo acabar com as especulações sobre o destino de Wallenberg, que têm proliferado desde que havia sido anunciada pela primeira vez a sua morte em 1947. Desde então, vinham circulando diferentes versões. Em 1957, a Chancelaria soviética havia divulgado um memorando informando que, segundo testemunho de um dos diretores do serviço de saúde da prisão, Wallenberg morrera repentinamente em 17 de julho de 1947 possivelmente vítima de uma deficiência cardíaca. Outros relatos diziam que o diplomata sueco foi mantido preso até meados de 80, ou então ainda poderia estar vivo, após ter sido transferido para inúmeras prisões soviéticas.
O comunicado oficial de Moscou, no entanto, não satisfez nem os familiares de Wallenberg, que continuam sem entender o que de fato aconteceu, pois todos os arquivos sobre o caso teriam desaparecido da então União Soviética, nem historiadores que vêm estudando o episódio há décadas. Também em dezembro último, um grupo de estudiosos russos e suecos divulgou um relatório sobre o Caso Wallenberg, após ter pesquisado em 71 volumes de documentos.
Segundo Hans Magusson, um dos membros do grupo, a maior probabilidade é que ele tenha sido executado ou assassinado logo após sua prisão, mas os historiadores não conseguiram encontrar nenhuma prova que confirmasse esta suposição. Portanto, também não podemos excluir a possibilidade de Wallenberg ter vivido por mais tempo.
Simultaneamente ao trabalho realizado pelo grupo russo e sueco, outra equipe de consultores independentes, coordenada por Guy von Dardel, meio irmão de Wallenberg, elaborou outro relatório, segundo o qual o diplomata pode ter vivido até 1989, fato que permaneceu oculto por várias razões, entre as quais a prática dos soviéticos de registrar alguns prisioneiros com números ao invés de seus nomes justamente para ocultar sua identidade. O fato de o passaporte e de outros pertences de Wallenberg terem sido devolvidos aos seus familiares em 1989 constitui uma forte evidência de que ele pode ter vivido até esta data, como alguns testemunhos comprovam, disse von Dardel.
No mesmo documento, os consultores independentes afirmam que o governo sueco desperdiçou várias oportunidades logo após a guerra que poderiam ter levado à libertação do diplomata em troca de cidadãos soviéticos que haviam se refugiado na Suécia. |
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