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De certa forma, o teatro ídiche ajudou a construir a ponte entre o shtetl e a América e brilhou durante algumas décadas. Não foi, no entanto, capaz de sobreviver à destruição do idioma e da cultura ídiche pelos nazistas, na Alemanha e na Europa Oriental, enquanto os descendentes dos imigrantes assimilavam-se cada vez mais na América. Assim, na segunda metade do século XX, era incerto o futuro das poucas companhias que ainda funcionavam em Nova York, Londres, Bucareste, Buenos Aires e Varsóvia. O desaparecimento gradativo das platéias levou à redução do número de espetáculos, que passaram a ser substituídos por peças que refletiam, cada vez mais, o dia-a-dia, ou seja, os dilemas e desafios da sociedade americana contemporânea.

Bibliografia:
American Jewish Historical Society
Enciclopédia Britânica
Sandrow, Nahama, Vagabond Stars:
A World History of Yiddish Theatre

O Teatro Ídiche no Brasil

Seguindo as tradições culturais européias, os judeus que imigraram ao Brasil, mantiveram formas de atividade cultural onde o teatro teve um lugar privilegiado nas comunidades em formação, no início de nosso século.

Quando examinamos os livros de atas das primeiras instituições judaicas em São Paulo em outras cidades, salta à vista a importância que as representações teatrais tiveram entre os imigrantes que formavam grupos e sociedades filo-dramáticas, para encenarem peças dos clássicos da língua ídiche.

Também a imprensa judaica das primeiras décadas de nosso tempo revela, pelos anúncios, a riqueza da atividade teatral entre os judeus em nosso país que nos anos 20, e mesmo antes, quando se deu a visita de Peretz Hirschbein, o grande dramaturgo e escritor judeu, os círculos dramáticos esforçavam-se em contatar e trazer do exterior trupes e artistas de renome mundial ao Brasil. Estes últimos vinham da Europa, dos Estados Unidos e, muitas vezes a caminho da Argentina, que constituía um centro de atração maior naqueles tempos, para fazerem suas paradas nas grandes cidades brasileiras e representarem peças do repertório teatral judaico.

Alguns dentre esses atores chegaram a se radicar entre nós e passaram a atuar junto àqueles amadores que se estabeleceram aqui, com o próprio fluir da imigração. Outros permaneciam temporariamente, exercendo sua atividade profissional contratadas pelas instituições culturais que ambicionavam preparar seus quadros e grupos na arte teatral.

Assim, já nos anos vinte, viriam ao Rio de Janeiro Mark Orenstein, Jacob Parnes, que se radicou entre nós, e, posteriormente, receberíamos o famoso Jacob Rotbaum e ainda Zigmund Turkov e outros. A crítica teatral também acabaria por surgir e se manifestar, tal como ocorreu nos anos 20, quando Jacob Nachbin redigiu o “Dos Ídiche Vochenblat”.

O Brasil também foi motivo de inspiração para novos autores dramáticos que, impressionados por certas temáticas locais, puderam expressá-las em suas obras.

Entre ele, devemos lembrar a figura de Leib Malach, que viveu e percorreu as comunidades judaico-brasileiras, retratando seus dramas e expressando os problemas do imigrante que chegava para se radicar em um novo país e meio social.

A história do teatro ídiche no Brasil ainda está por ser escrita, mas, o fascínio do tema, temos certeza, superará os obstáculos que tal pesquisa naturalmente apresenta, quer pela sua dispersão das fontes, quer pela necessidade de se adentrar na literatura expressa na língua ídiche que produziu uma extraordinária cultura cujas raízes se encontravam na Europa oriental.
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