O TEATRO ÍDICHE


Foto Ilustrativa

Trazido para a América por imigrantes da Alemanha e da Europa Oriental, o teatro ídiche brilhou durante anos nos palcos de Nova York, ajudando os judeus a manter viva a lembrança de sua terra natal. Não conseguiu, no entanto, sobreviver à destruição dos judeus pelos nazistas, nem à assimilação no Novo Mundo.


Edição 32 - Abril de 2001
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Palavra-chave: “Dzi-gan”. Resposta: “Teatro Ídiche”. Resposta correta. Um dos nomes mais importantes do teatro ídiche no século XX, este ator tinha uma bagagem cultural que começou há muitos séculos, em meados da Idade Média, quando mímicos, dançarinos, cantores e trovadores judeus andavam de aldeia em aldeia, divertindo o povo. Esta tradição se manteve até o século XVI, quando o teatro ídiche começou a assumir a forma e o estilo que o celebrizaram durante décadas, até produzir grandes sucessos na Broadway.

Os primeiros espetáculos eram tradicionalmente realizados durante a comemoração de Purim e tornaram-se conhecidos como Purimshpiel - ou Peças de Purim. Danças, acrobacia, muita música e palhaços compunham a tônica central destas apresentações, que eram quase sempre improvisadas. Os papéis femininos eram representados por homens vestidos de mulheres pois, segundo os costumes da época, estas não podiam apresentar-se ou cantar em público. Os homens, por sua vez, poderiam fantasiar-se de mulheres apenas durante os Purimshpiel. Outra característica das apresentações no século XVI era o fato de serem totalmente amadoras.

O teatro ídiche nos seus primórdios não era muito bem visto pelos grandes intelectuais judeus da época, que tinham o costume de escrever suas obras no idioma de sua terra natal – polonês, alemão ou russo. Para eles, o ídiche era um dialeto popular sem muito peso cultural e literário.

A partir de 1800, no entanto, e por influência do Iluminismo, surgiu um movimento de jovens que percebeu que o ídiche era o melhor caminho para se comunicar com a grande maioria do povo judeu, pois este era o idioma no qual as massas falavam. Assim, em 1876, Avraham Goldfadn escreveu a primeira peça profissional em ídiche. Além de ser o autor do texto, foi o responsável pela direção, produção, divulgação e cenários do espetáculo. Ex-professor e jornalista, era também um poeta e cantor que viajava pelas aldeias levando sua arte.

A obra beirava a comédia e não tinha muita profundidade, razões pelas quais foi criticada pelo famoso escritor ídiche I.L. Peretz e também por não abordar aspectos importantes da vida judaica. O autor reagiu aos comentários dizendo que o povo não estava interessado em nada além de canções, brincadeiras e beijos. No entanto, todas as histórias tinham uma moral e ele tinha um costume que deixou como herança para o teatro ídiche: explicar a moral da história, depois que as cortinas baixavam. Suas últimas peças incluíram temas heróicos da história judaica.

Seguindo a tradição dos antigos trovadores, Goldfadn também levava seus espetáculos pelas aldeias judaicas da Europa, contando suas histórias e fazendo o povo rir e, às vezes, até chorar. Seguindo seu exemplo, vários outros grupos teatrais surgiram e se multiplicaram, muitos nascendo das suas próprias divisões internas. Estudiosos do tema relatam que, em 1905, cerca de dez grupos profissionais - muitos formados por famílias inteiras - e centenas de atores faziam suas apresentações na Europa Oriental.

Fazer teatro, no entanto, nem sempre foi um negócio muito fácil e lucrativo. Assim, quando um espetáculo transformava-se em sucesso, os salários eram pagos em dia e os atores principais passavam a ser disputados pelas diferentes companhias. Quando o fracasso era muito grande, ninguém recebia. Além de Goldfadn, outro nome marcou o palco ídiche no século 19: Joseph Judah Lerner, que fez da Rússia o berço de seu trabalho. O anti-semitismo e as leis anti-semitas de 1883, no entanto, proibiram a exibição dos espetáculos, que passaram a ser denominados de “Teatro Alemão”. Precisavam de autorizações especiais que as autoridades dificilmente concediam. Assim, no final do século XIX e início do XX, centenas de escritores e atores resolveram tentar a sorte na Inglaterra e nos Estados Unidos.
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