RABINO JOSEPH SITRUK


Foto Ilustrativa

O número “quatro” é um símbolo bastante conhecido na tradição judaica, tendo sua origem na criação do universo. É comum encontrar-se o número quatro no evento primordial que deu origem ao povo judeu: o êxodo do Egito:


Edição 32 - Abril de 2001
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O número “quatro” é um símbolo bastante conhecido na tradição judaica, tendo sua origem na criação do universo. É comum encontrar-se o número quatro no evento primordial que deu origem ao povo judeu: o êxodo do Egito:

VEHOTSÉTI: “Eu vos farei partir”
VEHITSÁLTI: “Eu vos salvarei”
VEGAÁLTI: “Eu vos redimirei”
VELAKÁCHTI: “Eu vos tomarei como meu Povo”

Estas diversas formas de redenção correspondem aos quatro méritos, recordados na Torá, que levaram o Todo-Poderoso a se interessar pelos filhos de Israel:

ZECHUT AVOT: “O mérito dos ancestrais”
BRIT AVOT: “A aliança dos patriarcas”
ZECHUT CABALAT HATORÁ: “O mérito de aceitar a Torá”
ZECHUT MTZVOT PESSACH U-MILÁ: “O mérito de sacrifício Pascal e da circuncisão.”

Como estes mesmos quatros princípios podem ser encontrados nos quatro tipos de filhos retratados pela Hagadá de Pessach?

Na formulação de suas perguntas que definem sua própria personalidade:

CHACHAM: “O sábio”
RASHÁ: “O perverso”
TAM: “O ingênuo”
SHE’ENO IODÊA LISHOL: “Aquele que não sabe perguntar” Por que quatro?

O Maharal explica da seguinte forma o versículo do Gênesis: “Venahar iotsé me’Eden” – e um rio saía do Éden para irrigar o Jardim, e de lá se dividia para formar quatro braços. O conceito da Saída do Egito – entendido como a Redenção necessária dos Filhos de Israel para poder se tornar o Povo eleito por D’us – para ser realizada passa por quatro fases.

Portanto, cabe a cada um de nós o dever de vivenciar esta mensagem considerando-se “como se ele mesmo mesmo tivesse saído do Egito”.

De fato, a Hagadá de Pessach nos convida a atua-lizar a mensagem Divina. E, para fazê-lo, temos de seguir o caminho do estudo, pois, desta forma, conseguiremos salvaguardar a cultura judaica e, assim, estaremos assegurando a perenidade do judaísmo!

Desejamos que o Estado de Israel possa, enfim, viver em serenidade e paz. E que a verdadeira fraternidade una toda a humanidade.

PESSACH CASHER VE’SAMEACH
Joseph Sitruk
Grão Rabino da França
Paris, 7 de Março de 2001