Outro objetivo desse prêmio é o reconhecimento de certos valores universais, como a liberdade e a defesa dos direitos do homem, proclamados pelos grandes humanistas. A escolha de Elie Wiesel para o Prêmio Nobel da Paz, em 1986, ilustra de maneira significativa o conceito. Escritor e jornalista, sobrevivente do campo de concentração de Buchenwald - libertado em 1945, conta em seu primeiro livro, A noite, sua experiência nos campos de concentração nazistas. Desde então, não parou de lembrar ao mundo as atrocidades cometidas durante as guerras e promove uma luta constante contra as torturas e outros atentados à integridade física ou moral do ser humano. Junto com Lech Walesa, proclamou em Auschswitz o direito das pessoas a não sofrer. É presidente do USA Holocaust Memorial Council. O prêmio que lhe foi outorgado em 1986 transforma-o, de certa forma, em memória e consciência das nações, consagrando toda ação humanista.
Uma rápida análise da lista dos agraciados com o Prêmio Nobel revela uma participação mais destacada da comunidade judaica nos campos científicos (Física, Química e Medicina) e uma menor na Literatura. Entre os laureados, destaca-se o israelense Shmuel Agnon, premiado em 1966 por sua arte de narração. Em suas obras, o escritor conta a vida do povo judeu durante a emigração para a então Palestina, área sob mandato britânico, após a Segunda Guerra Mundial. O filósofo Henri Bergson e a poeta alemã Nelly Sachs também foram premiados. Através de seus escritos, Sachs tornou-se porta-voz dos judeus que sobreviveram aos campos da morte e foi uma das raras mulheres laureadas.
Entre médicos e físicos premiados, 25% pertencem à comunidade judaica. Para alguns observadores, este dado deve-se ao fato de que talvez tenham o que se chama de vocação. Para outros, a explicação mais lógica é que muitos premiados são oriundos de famílias de imigrantes cuja prioridade era a educação. Muitos sobreviventes do Holocausto costumam dizer que a única coisa que ninguém pôde tirar-lhes na guerra foi sua educação e seu conhecimento. O prêmio Nobel de Medicina de 1958, Joshua Lederberg, conta que se sentiu mais atraído pela ciência da mesma forma que outros sentem mais identificação com a religião. Claude Cohen-Tannoudji, premiado em 1997 pelo desenvolvimento de métodos de apreensão de átomos por laser, manifestou desde muito cedo uma grande curiosidade intelectual e seu percurso se explica em um princípio da tradição judaica: aprender e compartilhar seu conhecimentos.
Servindo ao mesmo tempo ao desenvolvimento das letras e ciências e à promoção da paz, o prêmio Nobel dá a todos laureados uma projeção tão grande que modifica suas vidas. Nenhum outro prêmio obteve tanto prestígio a nível mundial como o Nobel.
Os Judeus na Medicina
Seu testamento especificava também um prêmio para quem mais se empenhasse em prol da paz e da amizade entre as nações.
Cerca de 30% dos ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina são judeus. Este é um dado significativo considerando-se que apenas 0,3% da população mundial é judia. Esta e outras informações fazem parte de uma exposição especial organizada pelo Centro Médico Bnai Tzion sobre a participação judaica na história mundial da medicina.
A mostra está sendo patrocinada por Leon e Zelda Street e pelo Museu da Diáspora e mostra a relação entre os judeus e a medicina. A exposição está dividida por épocas, como por exemplo, o Período Talmúdico, o Renascimento e outros. |