O local foi fortificado pela primeira vez por Yochanan, o Macabeu, da dinastia dos Hasmoneus (cerca 143 a.e.c.), mas foi reconstruído pelo rei Herodes entre 37 e 31 a.e.c.. Herodes, um idumeu, foi proclamado rei da Judéia pelos romanos e era odiado pelos judeus. Ele era um construtor primoroso e transformou Massada em cidadela fortificada e refúgio próprio. Construiu dois belos palácios, pesadas muralhas, torres defensivas e um aqueduto que alimentava cisternas com a capacidade de 750.000 litros.
Após a morte de Herodes (4 a.e.c.), Massada foi capturada pelos romanos, mas um grupo de Zelotas, uma seita judaica que se opunha de forma acirrada à dominação romana, a ocupou de surpresa em 66 e.c.. Após a queda de Jerusalém e a destruição do Templo (70 e.c.), juntou-se a este grupo mais um contingente de rebeldes e suas famílias, vindos de Jerusalém. Durante dois anos atacavam os romanos, até que, em 73 e.c., o governador romano Flavius Silva marchou sobre Massada com a X Legião e milhares de prisioneiros de guerra judeus.
Os romanos acamparam na base da fortaleza, sitiaram-na, construíram uma rampa, contra o lado ocidental da fortaleza, com milhares de toneladas de pedras e terra batida e conseguiram fazer uma brecha em sua muralha.
Josephus refere-se dramaticamente à história que lhe foi contada por duas mulheres que sobreviveram. Os defensores, cerca de mil contando mulheres e crianças, liderados por Eleazar Ben Yair, decidiram atear fogo na fortaleza e acabar com suas vidas: ... E assim encontraram (os romanos) um grande número de mortos, mas não puderam ter prazer com isso, mesmo tratando-se de seus inimigos. Nem puderam deixar de se admirar pela coragem, resolução e total desprezo pela morte, demonstrado quando empreenderam uma ação de tal grandeza.
Os Zelotas sortearam dez homens para matar os outros. Depois escolheram aquele que deveria matar os sobreviventes e, por último, matar-se. Desta forma, somente um cometeu suicídio não permitido pelo judaísmo.
Depois que caiu em mãos dos romanos, Massada foi sede de uma igreja bizantina nos séculos V e VI. Desde então ficou praticamente abandonada até o século XX.
O local foi sede de intensas escavações arqueológicas, entre 1963 e 1965, realizadas por Ygal Yadin, com a colaboração de centenas de voluntários provenientes de Israel e do mundo todo.
A fortaleza de Herodes e os achados arqueológicos
Situada sobre uma plataforma que mede 600 x 300 metros, é circundada por uma dupla muralha na orla do penhasco, com várias torres. Uma rede de cisternas talhadas na rocha garantia o fornecimento hídrico. O lado norte de Massada era o mais densamente construído, com o centro administrativo, o depósito, uma ampla casa de banhos e moradias para oficiais e suas famílias.
O palácio residencial do rei Herodes: situada ao norte, a casa privada do rei era elegante e aconchegante. Separada do resto da fortaleza, oferecia segurança e privacidade. Tinha três andares, um de dormitórios e os outros dois para entretenimento e lazer.
O depósito: duas fileiras de salas abrindo-se para um hall central. Aí se encontrava um grande número de jarros que servia para armazenar óleo, grãos e vinho.
A grande casa de banhos: servia aos convidados e aos altos oficiais; possuía um caldarium, sala que podia ser aquecida na temperatura desejada graças a um sofisticado sistema de insuflação de ar quente sob o piso e nas paredes.
O Palácio Ocidental: maior construção de Massada, representava o principal centro administrativo da fortaleza, com o local das cerimônias reais e a sala do trono de Herodes.
A sinagoga: parte da construção de Herodes serviu também para os judeus que viveram em Massada na época da revolta. É considerada o melhor exemplo de sinagogas antigas, anteriores à destruição do Templo de Jerusalém, em 70 e.c.
Pequenos objetos: estes em sua maioria são da época dos Zelotes. São utensílios de cerâmica ou pedra, armas, restos de tecidos e muitas moedas de bronze e de prata. Os shekalim da época da revolta, cobrindo todos os anos desde o ano 1 (66 e.c.) até o raro ano 5 (70 e.c.), estavam em perfeito estado de conservação. Foram encontrados também 11 fragmentos, cada um com um nome, um deles Ben-Yair. Talvez fosse o nome dos que foram escolhidos para matar os outros e depois se matar. De acordo com o relato de Josephus Flavius, os zelotes queimaram tudo antes de morrer, menos os recipientes com os alimentos, para mostrar aos romanos que não fora o desespero da fome o que os levara ao gesto suicida. |