O Ato de Liberdade Religiosa, de Thomas Jefferson, aprovado pela Assembléia da Virgínia em 1785, afirmava que nenhum homem deve ser forçado a freqüentar ou apoiar qualquer serviço religioso, lugar ou líder religioso que seja.... Este princípio foi incluído integralmente na Constituição Federal, que também ressaltava que nenhum teste religioso deve ser feito como requisito para qualquer cargo público ou de confiança nos Estados Unidos. Em 1791, a Primeira Emenda renovou o compromisso com a liberdade religiosa, afirmando que o Congresso não deve aprovar nenhuma lei relativa à implantação de religião ou que proíba o livre exercício de qualquer crença.....
A Constituição Federal, apesar de pronunciar-se claramente sobre a liberdade religiosa, deixou para a decisão estadual a questão do direito de voto. Nem todos os Estados do novo país desejavam conceder aos judeus esse direito. Este processo foi mais demorado.
Antes da independência, aproximadamente três mil judeus viviam nos Estados Unidos, sendo que 50% eram ashquenazitas, em meio a uma população total de aproximadamente três milhões. Em 1795, em torno de 40 mil judeus viviam em Nova York. De 1830 a 1860, cerca de 200 mil novos imigrantes judeus chegaram à região, oriundos da Europa Central. Este fluxo, juntamente com o crescimento natural demográfico, elevou a população judaica total da América para 300 mil, em 1870. Os judeus alemães foram os principais responsáveis para o crescimento daquela que viria a se tornar a maior comunidade na história judaica.
A vida dos judeus alemães na América foi caracterizada por algo mais do que o sentido de comunidade. Foi caracterizada pela liberdade. Os judeus na América eram livres, profundamente livres e mais livres do que já haviam sido em qualquer outro lugar da terra. Este fato está diretamente ligado aos princípios que moldaram os Estados Unidos desde os tempos coloniais, nos quais o racionalismo não deixava muito espaço para o feudalismo medieval tradicional do Velho Mundo. Trata-se de um país que foi criado por grupos perseguidos, que lutaram para garantir constitucionalmente o reconhecimento de seus direitos, apesar de sérios episódios de anti-semitismo ao longo de sua história.
Sherit Israel, marco do judaísmo em Nova York
Sherit Israel foi a primeira congregação judaica da América do Norte, tendo sido fundada em 1654 por um grupo de judeus que havia fugido de Recife. Até 1730 funcionou em imóveis alugados, ano em que foi construída a sua primeira sinagoga em sede própria, então instalada na Rua Mill, atual Rua South William. O prédio mais recente foi construído em 1897, sendo a quinta sinagoga construída pela congregação. Seu estilo é semelhante ao das congregações portuguesas e espanholas da época.
De 1654 a 1825, Sherit Israel foi a única comunidade judaica de Nova York e, durante décadas, todos os judeus da cidade - sefaraditas e ashquenazitas - eram seus membros, muitos dos quais tiveram participação importante no desenvolvimento da região, participando, inclusive da fundação da Universidade de Colúmbia. A cada ano, durante o Memorial Day, um serviço religioso especial é realizado em homenagem aos que lutaram pela independência.
Desde o seu surgimento, a instituição preocupou-se em atender todas as necessidades da comunidade judaica, desde o nascimento até a morte. Era responsável pela educação laica e religiosa e pelo fornecimento de alimentos casher durante Pessach, entre outras atividades.
Ao longo de sua história, a Sherit Israel esteve envolvida na criação de inúmeras instituições que se tornaram marcos de referência em Nova York, entre os quais, os hospitais Monte Sinai e Montefiore, a Escola Lexington para Surdos, a União Americana das Congregações Judaicas Ortodoxas; o Seminário Teológico Judaico e o Programa de Estudos Sefaraditas da Yeshivah University.
Ainda ativa, a Sherit Israel inclui inúmeras associações, entre as quais a Liga Sherit Israel, a Irmandade, um Clube para Homens e o Dor Chadash, um grupo para pais, além de promover um programa de educação para adultos, serviços religiosos de Shabat e atividades para solteiros. Segundo seus membros, é uma instituição antiga sempre voltada para o futuro. |