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Na própria sala que Watson visitou cumprimentando efusiva-mente todos os funcionários, cartazes enormes advertiam para os critérios de classificação de protestantes, católicos e judeus, que mere-ciam um registro num cartão especial, processado à parte. “O produto final era revelação minuciosa da presença judaica, profissão por profissão, cidade por cidade, quarteirão por quarteirão, escreve Black.

Censo foi a Arma de Hitler

Em 1934, os jornais americanos já traziam ocorrência sobre brutalidades sobres judeus. Se o Watson tinha alguma dúvida sobre o significado do censo, Willy Heidingr o homem que estava à frente da filial alemã, se encarregou de explicar em seu discurso durante as novas instalações da Dehomag, em Berlim “estamos orgulhosos de ajudar nessa tarefa, que fornece ao médico de nosso país [Hitler] o material que necessita para seus exames [...] Nosso médico poderá adotar as medidas corretivas para reparar as circunstâncias patológicas. Seguiremos suas instruções com base numa fé cega”. Transmitido para Nova Iorque o discurso de Heidinger só mereceu congratulações de Watson.

Quatro anos depois esta massa de informações já não parecia suficiente para o exame do “médico”. Não bastava localizar os judeus praticantes, agora era preciso encontrar os “judeus raciais” cuja ascendência judaica remontava ao século anterior ou mesmo antes. Aquilo que seria, segundo um jornal nazista “o maior e o mais abrangente censo já feitos em todo o mundo” tinha um objetivo claro: estabelecer a “configuração sangüínea de oitenta milhões de alemães. Os recenseadores incluíram perguntas sobre possíveis avós judeus. Mas isso não era tudo: livros de registros de nascimentos em igrejas e sinagogas de cada condado foram vasculhados no esforço para esclarecer a ascendência de cada cidadão. Recolhidas pelos escritórios de política racial, as informações foram então cruzadas com as do censo. O escritório de um condado, o de Bautzn identificou assim “92 judeus plenos, 40 meio judeus, 19 1/4 de judeus, cinco 1/8 e 4 1/16 judeus”, todos com nomes, endereços, ocupação, esposa, filhos, ancestrais... Os escritórios que cruzavam esses dados usavam o sistema Hollerith que foi se disseminando cada vez mais pelo estado alemão, da administração das ferrovias à máquina militar. Os gerentes da IBM em Paris monitoravam o rápido crescimento da Dehomag e Watson em Nova Iorque motivava os gerentes da empresa a quebrarem recordes de produção.

Durante muito tempo, as campanhas de denúncia no EUA. contra atrocidades nazistas esbarraram na indiferença do presidente da IBM “sou cidadão americano, mas na IBM sou cidadão do mundo, pois faço negócios em 78 países, e para mim todos são iguais”, dizia, justificando suas transações com a Alemanha de Hitler. Só após a entrada dos EUA na guerra, a Alemanha acabou nomeando interven-tores no conselho da empresa. Mesmo assim, Watson jamais cortou os laços com a filial alemã e as dos países ocupados, nem teve qualquer escrúpulo em, ao fim da guerra, retomar completamente a empresa juntamente com os lucros propiciados por seu maior cliente o regime de Hitler. Este ia buscar dinheiro não importa aonde, “se de bancos em Praga ou se arrancados de dentes de carcaças de judeus em Treblinka”, escreve Black.
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