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HOMENS NA HISTÓRIA |
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UMA ENTREVISTA COM ELIE WIESEL |

Foto Ilustrativa
Elie Wiesel, escritor e Prêmio Nobel da Paz em 1986, esteve no Brasil em março, para mais uma etapa de sua missão: atuar como uma espécie de consciência crítica, iluminando com idéias e análises comunidades judaicas espalhadas pelo planeta e a opinião pública internacional.
| Edição 32 - Abril de 2001 |
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Nascido em solo romeno em 1928, Wiesel, hoje naturalizado norte-americano, é um sobrevivente dos campos de concentração nazistas que ganhou o Prêmio Nobel pelo conjunto de sua obra , montada para resgatar a memória do Holocausto e defender outros grupos vítimas de perseguições.
Em Brasília, Wiesel foi condecorado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Em São Paulo, fez palestras, encontrou-se com personalidades e foi o personagem principal de um jantar de gala promovido pela Congregação Israelita Paulista, que organizou sua vinda ao Brasil. Em meio a sua agenda carregada, Wiesel, um dos principais intelectuais judeus da atualidade, recebeu a equipe da Morashá para uma entrevista exclusiva.
Morashá - O que poderia ser feito por Israel para melhorar sua imagem junto à opinião internacional, que é tão influenciada pelos meios de comunicação?
Elie Wiesel - O povo de Israel é o povo do livro, um povo que acredita nas palavras e até agora, por algum motivo, um motivo estranho, talvez algum complexo, não lançamos mão de todos nossos recursos nesse plano das palavras. Espero que o novo governo recorra a profissionais de todas as partes do mundo e diga: venham, conheçam, e expliquem o que é tão especial sobre Israel, que Israel não pode aceitar certas condições, que Israel deve pensar antes de tudo em sua segurança, por causa do seus traumas, de condições que não são apenas materiais, mas também espirituais. E há muitas coisas que devem ser ditas, e ditas de uma maneira adequada. Os argumentos de Israel são muito fortes. Em 1947, quando a ONU adotou o plano de partilha, Israel recebeu uma porção muito, muito pequena, mas em nome da paz, Israel aceitou. Outro fato é que Ben-Gurion foi o primeiro e único primeiro-ministro que reconheceu o Estado árabe, logo no primeiro dia, reconhecendo a resolução da ONU. O mundo não sabe disso. E há tantas outras coisas a dizer sobre História, temas sociais e políticos que poderiam ser ditos.
Morashá - Então de que maneira esses aspectos deveriam ser ditos?
E.W. - Novamente, são necessários especialistas para isso, e que, antes de mais nada, creio que não devam se dirigir apenas à imprensa. Existe também a comunidade intelectual. A oposição a Israel vem principalmente da comunidade intelectual, que muitas vezes é dominada por ideologias de esquerda, que vêem Israel como um poder colonialista. Os especialistas devem se empenhar para explicar que Israel não é um poder colonialista, mas uma democracia. E no que se refere à situação atual, está absolutamente claro que nenhum governo, nenhum governo democrático, civilizado, deveria recorrer à violência. Portanto, eu creio que a liderança palestina deve reconhecer isso e declarar uma moratória, afirmando, por exemplo, que durante algumas semanas não haverá um único disparo. Não se pode provocar violência, e esse caminho deve ser condenado.
Morashá - Como o sr. acha que o governo de Ariel Sharon vai encaminhar o processo de paz?
E.W. - Ninguém sabe, nem mesmo Sharon, porque é um gabinete tão diferente. É um governo de união nacional, e, em tempos de crise, eu acho que devem haver tentativas para unir o povo. Mas como Sharon vai acomodar todas as ideologias: há gente do Shas, há Shimon Peres, que é um pombo, e existe a sua própria política. Estarei seguindo tudo isso com curiosidade, com muita curiosidade. Estarei em Washington em meados de março para fazer um discurso de abertura no encontro da Aipac, e Sharon virá também nesta época para se encontrar com George W. Bush. Então eu vou perguntar a ele todas essas questões! |
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