Nesse ínterim, do outro lado do oceano, o astrônomo norte-americano Vesto Slipher conseguiu testemunhar o movimento expansivo do universo. Valendo-se do poderoso telescópio no Observatório Lowell, em Flagstaff, Arizona, Slipher descobriu que dezenas de galáxias estavam, de fato, rapidamente se deslocando de um ponto central.
Entre 1918 e 1922, de Sitter, Friedmann e Slipher compartilharam, cada um por si, suas descobertas com Einstein mas, estranhamente, este resistiu à solução encontrada pelos colegas acadêmicos - como se, em seu brilhantismo, ele tivesse se dado conta das implicações teológicas de um universo em expansão. Einstein chegou a escrever uma carta para o Zeitschriff für Physik, um prestigioso periódico técnico, qualificando de suspeitas as sugestões de Friedmann. E, para Sitter, Einstein escreveu a seguinte nota: Esta circunstância [de um universo em expansão] me irrita. Numa outra nota, Einstein assegurou a um de seus colegas: Ainda não sucumbi a pregadores, numa referência velada aos três pesquisadores.
Em 1925, o astrônomo norte-americano Edwin Hubble deu um golpe fatal no modelo estático do universo. Valendo-se do, à época, maior telescópio do mundo, Hubble revelou que todas as galáxias dentro de um raio de 6 x 1017 milhas de distância da Terra estavam retrocedendo. Einstein tenazmente recusou-se a aceitar o trabalho de Hubble. O gênio alemão continuou a ensinar o modelo estático por cinco anos, até que, a pedido de Hubble, foi de Berlin a Pasadena para pessoalmente examinar as evidências. Ao final da viagem, Einstein admitiu com relutância que as novas observações feitas por Hubble [...] levam a supor que a estrutura geral do universo não é estática. Einstein faleceu em 1955. Se bem que tivesse chegado a reconsiderar o assunto, jamais se convenceu inteiramente de que o universo se estaria expandindo.
Dez anos mais tarde, em 1965, Arno Penzias e Robert Wilson calibravam um supersensível detetor de microondas, nos Laboratórios da Bell Telephone, em New Jersey. Onde quer que os dois cientistas mirassem o instrumento, este pegava o mesmo ruído de fundo, não identificável - um zunido contínuo de três graus Kelvin (3K). Descon-fiados, os dois consultaram um artigo sobre a relatividade geral escrito por um aluno de Alexander Friedmann. O artigo predizia que os remanescentes da explosão mais recente do universo seriam detectáveis na forma de uma fraca radiação de microondas, cerca de 5K ou aproximadamente. Os dois cientistas perceberam que tinham descoberto o eco da maior explosão da história: o assim chamado Big Bang. Em reconhecimento a sua descoberta, Penzias e Wilson receberam o Prêmio Nobel.
A descoberta do zunido 3K abalou ainda mais o modelo estático de universo. Só restavam dois modelos: um que carecia de Dus e outro que não. A questão derradeira a ser esclarecida era a seguinte: o universo primordial tinha explodido infinitas vezes (o modelo oscilatório) ou apenas uma vez (o modelo aberto)? Os estudiosos sabiam que isso poderia ser resolvido determinando-se a densidade média do universo. Se o universo contivesse o equivalente a cerca de um átomo de hidrogênio por dez pés cúbicos de espaço, a atração gravitacional entre todas as partículas do universo seria portanto forte o suficiente para parar e reverter a expansão. Eventualmente, haveria o Big Crunch, que propiciaria outro Big Bang (e depois mais um outro Big Crunch e assim por diante). Se, por outro lado, o universo contivesse menos do que esta densidade, a força explosiva do Big Bang su-peraria todas as atrações gravitacionais, e tudo expandiria até um nada absoluto, para todo o sempre.
Curiosamente, o abandono do modelo estático gerou pânico entre muitos membros da comunidade científica. Matemáticos, físicos e astrônomos uniram-se para comprovar a eternidade do universo. O Dr. Robert Jastrow, talvez o maior astrofísico da época, além de diretor do Instituto Nacional de Administração Aeronáutica e Espacial do Goddard Center for Space Studies, foi designado coordenador geral de um projeto de pesquisa a respeito. Por quinze anos, Jastrow e sua equipe tentaram demonstrar a validade do modelo oscilatório. Os dados, contudo, indicavam uma outra história. Em 1978, Jastrow emitiu o relatório definitivo da NASA, chocando o público ao anunciar que o modelo aberto provavelmente seria correto. No dia 25 de junho do mesmo ano, Jastrow divulgou suas descobertas no New York Times Magazine. Em suas palavras:
Este é um desenlace extraordinariamente estranho, inesperado para todos exceto os teólogos. Estes sempre aceitaram a palavra da Bíblia: No princípio, Dus criou o céu e a terra. [...] [Mas] para o cientista que é movido por sua fé no poder da razão, a história termina como um pesadelo. Este escalou as montanhas da ignorância; está na iminência de conquistar o cume mais elevado; [e] ao atingir o último lance, ele é recebido por um bando de teólogos que lá já estavam há séculos". |