O BIG BANG E A GRANDE QUESTÃO: UM UNIVERSO SEM D'US


O Sol e o sistema solar

No princípio, D’us criou o céu e a terra, mas para o cientista que é movido por sua fé no poder da razão, a história termina como um pesadelo.


Edição 32 - Abril de 2001
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Até o início do século XX, os astrônomos contemplavam três possíveis modelos do universo:

1º modelo: O universo poderia ser estático. De acordo com essa teoria, embora as atrações gravitacionais mútuas das estrelas mantivessem-nas unidas na forma de sistemas solares e de galáxias, cada um desses grupos de estrelas e planetas deslizariam pelo espaço ao longo de sua própria trajetória randômica, sem nenhum vínculo com os cursos traçados pelos outros grupos estelar-planetários. O modelo estático satisfaz tanto ateus quanto fiéis: semelhante universo poderia ter sido criado por D’us em algum ponto da história, mas também poderia estar existindo desde sempre sem D’us.

2º modelo: O universo pode estar oscilando. Como um balão cósmico, ora se expandiria, ora se contrairia, alternadamente. Por alguns bilhões de anos inflaria, até se tornar um nada absoluto. Mas a atração gravitacional de cada estrela e planeta atuando entre si eventualmente desaceleraria esta expansão, até que todo o processo se invertesse. O balão voltaria, então, a se retrair sobre si mesmo. Tudo que existisse eventualmente iria concentrar-se no centro do universo. Imediatamente em seguida, colossais quantidades de calor e luz seriam emitidas, tudo voltaria a ser relançado em todas as direções e assim a fase de expansão se reiniciaria uma vez mais. Tal universo também poderia ter sido criado por D’us ou poderia estar existindo desde sempre sem D’us.

3º modelo: Finalmente, o universo poderia ser aberto. Seria como um balão cósmico que nunca implode. Se a atração gravitacional total de todas as estrelas e todos os planetas não conseguisse interromper a expansão inicial, como no modelo oscilatório, o universo se esvairia num nada, para sempre. Eventualmente, as estrelas se extinguiriam e uma cortina de escuridão gelada encobriria tudo o que existisse. Semelhante universo nunca voltaria à vida. Teria existido num dado momento da história, resplandeceria gloriosamente por algum tempo e acabaria numa noite irrevogável.

Em suma, o último modelo propõe que, antes da explosão original, toda a matéria e a energia do universo estavam contidas numa singularidade, isto é, em um minúsculo ponto, estável no espaço por uma eternidade, antes que subitamente explodisse. Este modelo propõe o seguinte paradoxo: objetos em repouso - como a singularidade inicial mencionada acima - continuam assim até sofrerem a interferência de uma força externa; não obstante, visto que o ponto inicial continha toda a matéria e toda a energia primordial, nada (ao menos, nada que fosse natural) teria existido fora dessa singularidade que poderia tê-la levado a explodir. A resolução mais simples deste paradoxo é propor que algo sobrenatural desencadeou a existência do universo. O modelo de um universo aberto subentende, portanto, um Criador sobrenatural - ou seja, um D’us.

Em 1916, Albert Einstein divulgou os primeiros esboços de sua Teoria Geral da Relatividade, levando a comunidade científica à loucura. Parecia que Einstein havia revelado os segredos mais recônditos do universo. Suas equações também causaram alguns problemas - como dilemas técnicos e empecilhos matemáticos - mas nada que interessasse aos jornais e revistas voltados a temas científicos para o grande público.

Dois cientistas notaram os impasses. Em fins de 1917, o astrônomo dinamarquês Willem de Sitter analisou a relatividade geral e enviou a Einstein um relato detalhado, em que resumia o problema e propunha uma solução radical: a relatividade geral funcionaria apenas se todo o universo estivesse explodindo em todas as direções a partir de um ponto central. Einstein nunca respondeu às críticas formuladas por de Sitter. Posteriormente, em 1922, o matemático soviético Alexander Friedmann derivou de forma independente a solução encontrada pelo dinamarquês. Se Einstein estivesse certo, predisse Friedmann, o universo deveria estar expandindo-se em todas as direções, em alta velocidade.
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