Perguntam nossos sábios, na Éticas dos Pais: 'Quem é forte? Aquele que controla seus impulsos', pois é mais difícil refrear seus próprios impulsos do que resistir a um perigo externo. Isaac é o patriarca símbolo da Guevurá, pois ao ser atado tinha controle total sobre si próprio, ao ponto de anular sua própria vontade. Não controlada, esta Sefirá pode levar o homem a uma situação em que não consegue dar nem receber, uma retração total em si mesmo, podendo ser fonte de energia para o ódio e o medo. No corpo sefirótico, é o braço esquerdo.
O Talmud aponta-nos algo essencial sobre as relações humanas: devemos aproximar as pessoas em nossa volta com a mão direita; mas, ao mesmo tempo, mantê-las à distância com a esquerda. Só assim o homem poderá manter em cada relacionamento sua própria identidade.
Tiferet - Beleza e harmonia. Esta Sefirá também é chamada de Rachamim, compaixão. Tiferet equilibra os fluxos de Chessed e Guevurá. É o dar equilibrado, o julgamento atenuado pelo amor. A habilidade de harmonizar e integrar os dois extremos. Representa o desenvolvimento do ser humano até seu maior poten-cial. Os sábios nos ensinam que nossa compaixão deve estender-se sobre todas as criaturas, não desprezando nem destruindo nenhuma delas. Tiferet representa também a verdade, pois a pessoa só pode ser verdadeira se estiver equilibrada e somente estando ela mesma equilibrada poderá ter relações equilibradas. Jacob é o patriarca que simboliza a Tiferet. Ele é exemplo daquilo que o Talmud define como uma pessoa verdadeira: "aquele que é por fora aquilo que é por dentro". No corpo sefirótico, é o tronco.
Netzach - Eternidade. É a vontade de vencer, conquistar; o impulso profundo de realização. À medida em que surgem os sentimentos, devem ser realizados através de relacionamentos. Netzach é primeira Sefirá onde há reprocidade. Ensinam-nos nossos sábios que "mais que o discípulo quer aprender, o mestre quer dar". Esta Sefirá é responsável pela necessidade que cada homem tem de se relacionar com o "outro". E isto pode ser participar de numa conversa, estender a mão ou simplesmente praticar qualquer ação que toque o outro. Netzach significa vitória; conseguir sair das limitações do nosso próprio ser para entrar no mundo do outro. É o dar de acordo com as necessidades de quem esta dando. Moshé Rabeinu representa o fluxo de Netzach. Este atributo é a perna direita do corpo sefirótico.
Hod - Esplendor. É a sinceridade, o zelo. Na luta para o cumprimento das responsabilidades ou atingir o que se deseja, é o poder de rechaçar os obstáculos que surgem e perseverar. Relacionamentos sinceros ou duradouros não resultam de um simples alcançar o outro. Dependem também de nossa habilidade de criar um espaço interno para aceitar o outro. É o dar de acordo com as necessidades de quem recebe. É estar em total conformidade com a identidade do outro. Hod restringe e contém o fluxo de Netzach para que o relacionamento não se torne dominador. Aarão é o símbolo de Netzach. No corpo sefirótico, é a perna esquerda.
Yessod - Fundamento. Representa o poder da conexão, a força vital procriadora. Yessod é o pilar cósmico, o eixo do mundo. Esta Sefirá representa o tipo de relação recíproca onde todo o ser está envolvido, é o estreito vínculo entre dois entes. A capacidade de fazer contatos e se relacionar com os outros. É também o poder de comunicação e a habilidade de se concentrar na pessoa com quem estamos comunicando-nos. A luz e o poder das Sefirot são canalizados por Yessod e através deste chega-se a Malkut. José, filho de Jacob, representa Yessod.
Malkut - Reinado. É a vivência, a realização do potencial no homem. É a transição da alma para a existência externa; do pensamento para o fato. Assim como um ângulo define o encontro de duas ou mais linhas, Malkut define o ponto de encontro de todas as Sefirot, sua expressão final. Representa a coesão final em um relacionamento. O Rei David representa esta Sefirá.
Conclusão
O homem está ligado a um sistema de mundos superiores, apesar de este sistema não lhe estar revelado. Cada um de nós é composto por fluxos espirituais de energia que definem nossa personalidade. Através de nossas ações e como resposta a estas, que estabelecemos (ou não) um equilíbrio entre o espiritual e o material nossa mente e nossas emoções, assim como entre nós e o mundo que nos cerca. A jornada mística da busca do 'eu verdadeiro' se inicia com a conscientização deste fato espiritual da vida.
Para a Cabalá, as Sefirot não são um sistema teológico abstrato, mas sim um mapa da consciência humana através do qual poderão ser descobertas as dimensões do ser, pois a totalidade espiritual e psicológica do ser humano pode ser obtida pela meditação nas qualidades de cada Sefirá e pela imitação dos atributos Divinos. Estas descobertas poderão levar a uma revolução na percepção do sentido da vida.
Um dos preceitos básicos do Judaísmo é que a vida tem sentido, e a meta do homem é se aperfeiçoar e aperfeiçoar ao mesmo tempo o mundo à sua volta. A Cabalá nos ensina que o homem é a única criatura que tem como superar sua natureza interna, suas inclinações, aperfeiçoar-se espiritualmente aproximando-se desta forma de seu Criador.D's disse a Abraão: "Vai". Segundo nossos sá-bios, este versículo tem uma mensagem que se destina a todas as pessoas... "Vai para dentro de ti mesmo; conhece-te e completa-te".
Terminando, deixamos com os leitores de Morashá, para reflexão, este pensamento do Rav Abraham Kook, erudito deste século que ora termina: "Quanto mais forte és, mais precisas procurar-te". |