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CABALÁ E MISTICISMO |
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A SEFIROT E O HOMEM |

A árvore da vida
Ao centro de Sua Criação, D's colocou o homem, insuflando-lhe uma centelha Divina, que se constitui na essência de sua vida interior. Apesar de ser o homem composto de matéria e espírito, seu corpo é somente o invólucro material dessa faísca Divina.
| Edição 31 - Dezembro de 2000 |
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Criando o homem apenas à Sua imagem, D's deixou-o livre para escolher caminhos e para transcender a si mesmo, a suas contradições internas, suas inclinações, sendo capaz de atingir as alturas e as profundezas espirituais. Deixou-o livre para se afastar ou se aproximar Dele.
No homem, a busca de si mesmo, de seu "eu verdadeiro", inicia-se com o primeiro vislumbre de consciência e perdura até o último fôlego.
Todo homem anseia imbuir sua existência de sentido e objetivo, mas a realidade física em sua volta, bem como seus medos e desejos, interferem em sua percepção. Às vezes, ao acelerar o ritmo de sua vida para obter as coisas que deseja, acaba relegando para um segundo plano a procura do eu verdadeiro.
A Cabalá é uma doutrina de unidade através da qual o homem pode aprender que a realidade é um todo no qual o visível e o invisível, o material e o espiritual se misturam e se unem. Segundo o Talmud, antes de vir para o mundo nosso saber é ilimitado. Nossa alma é repleta de sabedoria. Mas, ao nascimento, um anjo "arquiva" todo esse conhecimento em nosso inconsciente. E, assim, no decorrer da vida devemos "reaprender" esta sabedoria, transformando-a em realizações.
A Cabalá ensina que o homem criado à "imagem de D's" é um microcosmo de Seus poderes, e as qualidades básicas da mente e da emoção humana são o reflexo das "Qualidades" usadas por D's para criar e governar Sua criação. As faculdades mentais do homem refletem o Intelecto que D's usou para criar o mundo e, desta forma, o homem tem a capacidade de compreender as leis e a lógica da Criação.
A Cabalá ensina que a busca do "eu verdadeiro" deve trilhar o caminho da alma, pois esta é a verdadeira essência do homem, sua parte infinita, seu eu inapreensível. É quem nos dá a vida. É o centro espiri-tual, a parte do ser que ama, sente, percebe. É a fonte de energia inesgotável que permite criar, verbalizar, conectar-se com os outros em nossa volta e se manifesta através da mente, das emoções e dos atos.
Segundo a Cabalá o homem é composto das mesmas "forças fundamentais", da mesma "matéria prima" através das quais D's deu forma e conteúdo à Sua Criação: as Dez Sefirot. Estas se originam no Infinito do Ein Sof e emanam através dos mundos, olamot, criando uma "corrente espiritual" que liga e vivifica todas as coisas. É através das Sefirot que a Energia Divina flui, permeia e se torna parte de cada coisa vivente.
A alma do homem - a Centelha Divina, a neshamá - é o "cordão umbilical" que transcende todos os universos, olamot, e nos liga ao Infinito, o Ein Sof, a D's. Sendo composta da essência interior das Sefirot, a alma humana manifesta os atributos ou qualidades das mesmas. Portanto, pode-se dizer que a alma do homem é o "cabo condutor" através do qual fluem e se individualizam as Dez Sefirot, enraizadas no mundo espiritual, tornando-se as bases de nossas personalidades. A maneira pela qual cada um de nós se relaciona com o seu meio é "produto" das possíveis combinações de Sefirot.
Nos textos cabalísticos a configuração das Sefirot é descrita graficamente como um arranjo vertical ao longo de três eixos paralelos, ou kavin, numa alusão ao corpo humano. Conseqüentemente, cada Sefirá é associada a um membro específico.
No homem, as Dez Sefirot podem ser divididas em dois grupos. O primeiro, chamado de Sêchel, é composto das Sefirot Chochmá, Biná e Da'at, e representa os processos internos mentais. O segundo, composto das outras sete Sefirot, é chamado de Midot e representa o coração e as emoções humanas. É atributo da mente o direcionamento, enquanto o sentimento não tem direção. |
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