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MULHERES NA HISTÓRIA |
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REBECCA GRATZ, UM EXEMPLO PARA NOVAS GERAÇÕES |

Foto Ilustrativa
Rebecca Gratz, mulher de visão, acreditava que as mulheres eram responsáveis por assegurar a preservação da vida judaica na América.
| Edição 31 - Dezembro de 2000 |
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Fundadora das primeiras organizações filantrópicas femininas da Filadélfia e do primeiro orfanato judaico, Rebecca dedicou sua vida em prol do próximo, atuando com a mesma energia e empenho tanto dentro da comunidade judaica quanto entre a população geral da Filadélfia. Crianças e viúvas eram suas maiores preocupações. Rebecca acreditava que era responsabilidade da comunidade olhar pelo bem-estar de cada judeu em termos materiais, morais e religiosos.
Rebecca Gratz nasceu em Lancaster, na Pensilvânia, em março de 1781. Foi a sétima de doze filhos. Seus pais, Miriam e Michael Gratz, judeus ortodoxos, eram membros ativos da pequena comunidade judaica da Filadélfia e estavam entre os fundadores da primeira sinagoga da cidade, Mikveh Israel. O pai, Michael, era abastado comerciante de origem alemã, que descendia de uma longa linhagem de respeitados rabinos.
Rebecca, assim como seus irmãos, foi criada em um ambiente onde a educação e os valores judaicos eram fundamentais. Não freqüentou cursos universitários - como seus irmãos - e pouco se sabe sobre sua educação formal. No entanto, sabe-se que era uma mulher interessada e autodidata e que continuou a estudar, por conta própria, os textos judaicos com os quais não tinha muita familiaridade. Rebecca amava escrever; suas poesias entusiasmavam seus amigos e familiares que a encorajaram a publicá-las. Porém, sem interesse na fama, usou seus dons literários em correspondência prolífica e relatórios organizacionais anônimos.
Jovem determinada
A família Gratz fazia parte da elite social e cultural da Filadélfia e durante sua adolescência, Rebecca, uma jovem educada e articulada, conheceu muitos dos importantes pensadores da época, com os quais se correspondia. Entre eles, personalidades como Washington Irving e Henry Clay. Artistas da época também faziam parte do círculo de amizade da jovem e de sua família, como os pintores Thomas Sully, Edward Malbone e Gilbert Stuart, que pintaram retratos dos membros da família Gratz.
Bonita e charmosa, Rebecca era uma mulher gentil e bondosa. Vestia-se sempre de preto, com um colarinho fino branco, um boné sobre os cabelos cacheados castanho-escuro. Culta e elegante, não era uma feminista radical, mas uma mulher judia que buscava desenvolver sua própria identidade. Um dos eventos que marcaram profundamente a vida de Rebecca foi o casamento de sua tia, irmã de sua mãe, com um não-judeu, e as conseqüências deste fato no seio de sua família.
Em 1801, Rebecca, sua mãe, a irmã e 21 outras mulheres fundaram a primeira instituição de assistência social não-sectária - "Associação Feminina da Filadélfia" - dedicada a ajudar mulheres e crianças carentes. Seu contato com o sofrimento dos órfãos e viúvas fez com que, em 1815, ela ajudasse a fundar mais uma instituição não-sectária, o Orfanato da Filadélfia.
Rebecca e a "Casa de Israel"
Com a morte prematura de seus pais, Rebecca herdou a responsabilidade e o desafio de dirigir a casa e cuidar dos irmãos. Quando sua irmã faleceu, aos 40 anos, passou a criar os seus nove sobrinhos, sendo que o mais velho tinha 16 anos. O judaísmo fazia parte de seu cotidiano. Procurava transmitir seus valores e suas tradições a todos que a cercavam, abrindo mão inclusive de sua vida pessoal em prol da unidade familiar. |
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