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Foto Ilustrativa
Jan Karski, legendário herói polonês da Segunda Guerra, morreu aos 86 anos, no último dia 13 de julho, em Washington. Membro da Resistência Polonesa, Karski atravessava as linhas inimigas levando informações e mensagens para os aliados.
| Edição 31 - Dezembro de 2000 |
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Em 1942, líderes do gueto de Varsóvia contataram-no para uma missão muito especial: ver com seus próprios olhos os horrores do Holocausto e a seguir levar as informações aos líderes aliados, pedindo ajuda.
Sua juventude
Jan Kozielewskiem nasceu em 1914, em Lodz, e era o menor de uma família de oito filhos. Católico fervoroso, assim como toda sua família, Jan aprendeu com a mãe, Walentina, a aceitar e respeitar todas as crenças, na época algo inusitado na Polônia. Desde a infância ouvia-a repetir: "Você deve acreditar em D'us, meu filho, mas lembre sempre que Ele é tão grande que nenhum ser humano consegue entendê-Lo. Judeus, muçulmanos e católicos, cada um o vê diferente, mas nunca se esqueça que veneramos o mesmo D'us".
Estudante modelo, Jan se formou em Direito e Diplomacia, entrando em 1939 para o corpo diplomático polonês. Com a guerra se aproximando, em agosto do mesmo ano, alistou-se no exército. Servia como oficial da cavalaria quando, em 1º de setembro, os alemães invadiram e conquistaram grande parte da Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Duas semanas mais tarde os soviéticos entraram pelo Leste ocupando o restante do país. Capturado pelos soviéticos, Jan foi enviado para um campo de detenção de onde consegue escapar. Junta-se à Resistência Polonesa e atua como ligação entre esta e o governo polonês no exílio, sediado em Londres. Jan possuía qualidades indispensáveis para este tipo de missão: raciocínio lúcido e rápido, prodigiosa memória fotográfica, além de aguçado instinto de sobrevivência. Farejava o perigo. Culto, falava vários idiomas. Mas, acima de tudo, era corajoso, dedicado e íntegro.
Era como foi dito em sua homenagem, quando morreu, "a melhor faceta da Polônia". Jan tornou-se uma lenda no decorrer da guerra. Um homem que cumpria o que prometia e todas as facções da Resistência Polonesa, assim como a Resistência Judaica do Gueto de Varsóvia, confiavam nele.
Os primeiros anos da guerra
No inverno de 1939 Jan Karski - um dos tantos codinomes que adotara e pelo qual passou a ser conhecido - percorreu a Polônia coletando informações e fazendo contatos para a Resistência. Já nesta primeira viagem constatou que a vida sob o jugo nazista era terrível e que, embora o sofrimento da população polonesa fosse grande, o dos judeus era insuportável.
Em Lublin, Karski testemunhou o tipo de tratamento que os alemães reservavam para os judeus. Num dia de frio terrível viu guardas despejando água gelada sobre os judeus. Alguns desmaiaram de choque ou exaustão, outros, nus, sofreram todo tipo de violência. Em outra ocasião, ao tentar obter um passe na sede da Gestapo, em Varsóvia, viu uma secretária alemã negar um passe a umas jovens judias, grávidas: "Não vamos facilitar o nascimento de mais um judeu", gritara a alemã.
Em toda a Polônia as cenas de brutalidade e violência se repetiam e Karski observou na época: "A Raça Dominante' (como os alemães se auto-denominavam) é na verdade uma nação de loucos, de brutos desumanos, criaturas sem coração".
Jan percebera que os alemães tinham "intenções diabólicas" para a comunidade judaico-polo-nesa, e num de seus relatórios para o governo polonês no exílio, Jan descreveu o que havia presenciado perto de Belzec: "... Nunca vi algo tão assustador. Os alemães criaram um campo cercado de arame farpado onde milhares de judeus estão sendo mantidos como prisioneiros... todos pareciam famintos, congelados, em total desespero, incapazes de pensar... Cenas de violência e desespero estão ocorrendo há meses... parecem irreais, parecem terríveis pesadelos..." Mas a violência contra os judeus apenas começava. Em 1942 Karski voltou para a Polônia para ver a máquina de extermínio nazista em ação, e o que viu foi tão terrível que este primeiro testemunho perdeu-se frente ao horror do segundo. |
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