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Passando por todas as dificuldades mantiveram-se fiéis ao comportamento moral e ético judaico. Aliás, esse foi um dos principais marcos para a sua inserção na Ucrânia e para a preservação do espaço que conquistaram para as futuras gerações. Sob a vigência comunista na ex-URSS, que fechou as fronteiras e as comunicações com o mundo, os judeus ucranianos ficaram isolados, pois não havia meios de se obter informações e de ter contato com outras comunidades judaicas, a não ser pelas trocas efêmeras de rabinos.

Assim, a Cortina de Ferro, algo intransponível, tornou-se um desafio a muitos que fugiram desse inferno político e, cansados de ser humilhados, passaram a viver em outros países. Aqueles que fugiam, perdiam o contato com os familiares, mas os familiares que ficavam respondiam aos processos instaurados pelo Estado soviético.

Na Ucrânia atual, os contatos foram restabelecidos com algumas comunidades do Canadá, Estados Unidos da América e Israel, para onde o maior número de emigrantes se direcionou.

Os judeus ucranianos mantiveram os valores essenciais do judaísmo. Sem dúvida, essas foram as principais razões de sua sobrevivência.

Estudando a história dos judeus ucranianos, constatamos que a relação de um povo ou de um grupo com o espaço é vital quando existem valores enraizados e mantidos através do tempo, pois consolidam uma identidade forte. Para a minoria judaica, esta identidade é a razão de suas lutas e vitórias. Mais importante do que a conquista de um espaço, porém, é a luta de uma sociedade por seus direitos e liberdades.

A trajetória dos judeus na Ucrânia e/ou ucranianos confirma a necessidade da busca de uma identidade cultural e espacial, legitimada e reconhecida pelos demais povos.

Carlos Alberto Póvoa
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