YOM KIPUR
YOM KIPUR, O DIA DO PERDÃO


Foto Ilustrativa

"... Aos dez dias deste sétimo mês é o dia das expiações; convocação de santidade será para vós, e afligireis suas almas (através do jejum)..." ( Lev. 23).


Edição 30 - Setembro de 2000
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Yom Kipur, o Dia do Perdão, é o dia mais sagrado e solene do ano, o auge
dos Dez Dias de Penitência iniciados em Rosh Hashaná. Neste dia, em cada congregação, os rolos da Torá são retirados da Arca Sagrada e carregados dentro da sinagogas. O Kol Nidrei, a anulação de todos os votos, é recitado antes do pôr-do-sol enquanto a congregação fica de pé, ereta.Sua melodia tradicional infunde em cada um dos presentes um sentimento de reverência. É o início de um dia de jejum e abstinência, quando o material se submete ao espiritual e cada judeu vai examinar seus atos e buscar perdão pelos erros que cometeu contra D'us. É um dia de arrependimento e perdão.

Sem a possibilidade do arrependimento o mundo não poderia existir, já que ao criar o homem com o livre arbítrio - a liberdade de escolha entre o bem e o mal - D'us deu-lhe a possibilidade de errar, de se afastar Dele. Mas ofereceu-lhe também a possibilidade de voltar para Ele, a possibilidade de mudar o curso de sua vida, de arrepender-se, de "aproximar-se de D'us afastando-se do pecado," de fazer teshuvá.O Talmud afirma que "Sete elementos foram criados antes do universo, entre os quais a Torá e o arrependimento..." (Nedarim 39b). Portanto, antes mesmo de ser criado, D'us deu ao homem, elemento fundamental de toda a Criação, a possibilidade de se afastar de seus erros. Segundo nossos sábios a eficácia do arrependimento, do retorno a D'us, está acima da lógica humana.

A Cabalá nos ensina que se o homem fosse julgado unicamente pelas Leis de Justiça que regem a Criação, segundo as quais cada ato negativo é julgado e punido conforme sua gravidade, seus erros estariam sempre presentes para condená-lo, não permitindo que ele escapasse da inevitabilidade do julgamento e da punição. O homem não teria como remover os danos espirituais já causados por seus erros, não teria, portanto, como voltar a se aproximar de seu Criador. Por isto, antes mesmo de criar o universo, D'us criou "o Mundo da Misericórdia "que corresponde à Sefirá Keter (Coroa). A primeira sefirá a ser emanada, Keter corres-ponde ao primeiro dia da Criação. Neste primeiro dia só existia D'us, a Fonte de Toda a Vida. Nem os anjos, nem as forças do mal, nem as Leis que regem o Universo ainda haviam sido criadas. D'us quis que continuasse a existir um dia onde todos poderiam facilmente reconhecer a Verdade espiritual que governa a Criação: a de que todo o poder reside só em D'us.

Yom Kipur é este dia único, especial e indispensável, no qual o homem tem condições espirituais para d'Ele se aproximar. No dia de Yom Kipur o poder do mal é suspenso e a Santidade Suprema é revelada. Em Yom Kipur o homem tem a possibilidade de se elevar espiritualmente atingindo o nível dos anjos. Os pecados que cometeu contra D'us, se ele se arrepender sinceramente, serão perdoados, permitindo-lhe retomar seu caminho em direção à Luz. Neste dia, assim como os anjos, Israel não come, não bebe, não usa sapatos de couro. É o único dia em que podemos recitar em voz alta a bênção do primeiro versículo da oração Shemá Israel: "Bendito seja o Nome da glória... eternidade". Segundo a tradição, no momento em que recebeu a Torá e a trouxe para o povo de Israel, Moisés ouviu esta bênção dos anjos. Sendo esta oração dos anjos, é recitada em voz baixa o ano inteiro. Apenas em Yom Kipur, quando Israel se assemelha a um anjo, esta frase é dita em voz alta.

Nossos sábios ensinam que, apesar dos Portões do Arrependimento estarem sempre abertos, as condições espiri-tuais que estão presentes em Yom Kipur e que nos permitem distinguir com mais facilidade o bem do mal, não existem em nenhum outro momento.

Foi neste dia 10 de Tishrei, Yom Kipur, que D'us perdoou o imperdoável: o bezerro de ouro. Foi neste dia que, após 40 dias de súplica para que D'us perdoasse os Filhos de Israel, Moisés desceu com o segundo par de tábuas dos Dez Mandamentos, prova do perdão Divino pelo pecado do bezerro de ouro. Enquanto Moisés estava no Monte Sinai pedindo e suplicando pelos Filhos de Israel, D'us lhe revelou Seus Treze Atributos de Misericórdia. Ao proclamá-los, D'us estava mostrando a Moisés que a Sua Misericórdia supera todas as considerações sobre erros que o homem possa ter cometido no passado ou venha a cometer no futuro. D'us também mostrou a Moisés que se o homem usar de misericórdia, perdoando os que estão a sua volta, ele poderá se conectar espiritualmente com o mundo da Misericórdia Divina, conseguindo que seus próprios erros sejam perdoados. Por isso nossos sábios nos ensinam que se o homem perdoar a quem o magoou, se mostrar benevolência e generosidade para com o seu semelhante, os Céus vão tratá-lo da mesma forma.

Bibliografia:
Kaplan, Ariyeh, Inner Space
The ArtScroll Mesorah Series,
Yom Kippur