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| OS JUDEUS DO ORIENTE MÉDIO |

Judeus espanhóis em Esmirna
A presença dos judeus no Oriente Médio data dos "tempos bíblicos", aproximadamente 2000 anos antes da era comum. Segundo o estudioso francês Jules Isaac, parte representativa do povo judeu já se havia transferido do núcleo formador em Canaã para outras regiões, antes mesmo da destruição do Templo de Jerusalém por Tito, no ano 70.
| Edição 30 - Setembro de 2000 |
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O fenômeno das diásporas - atrelado à imagem da "Terra Prometida" - esteve sempre presente na trajetória do povo judeu que, em diferentes momentos da História, mobilizou-se em busca de novos espaços que pudessem substituir a terra perdida. O fato de os judeus possuírem uma origem antiga e professarem uma religião original e humanista que deu origem ao cristianismo e ao isla-mismo, não os livrou de perseguições contínuas, fatores indissolúveis de suas constantes fugas.
A facilidade de se transferir para outras terras e o oficial respeito romano pela pluralidade étnica levaram grande número de judeus a buscar opções de sobrevivência nas regiões ocidentais e orientais do Império. Nestas regiões, os judeus influenciaram e absorveram traços culturais de outros povos. A assimilação de novos padrões de cultura não os impediu de continuar mantendo a religião e as tradições judaicas, fortemente estruturadas e internamente cristalizadas, antes das grandes dispersões provocadas pela destruição do Segundo Templo.
Instalando-se em regiões do Império Romano do Oriente ou Bizantino, os judeus, conhecidos como romaniotas, organizaram comunidades que foram, no decorrer do tempo, submetidas ao domínio político de outros conquistadores, entre os quais os árabes e os otomanos.
Vivendo no Oriente Médio em terras dominadas pelos árabes nas "Guerras Santas" iniciadas no século VII, a maioria dos judeus, embora pressionada, não se deixou converter ao islamismo. Tempos depois, os judeus conseguiram acomodar-se na organização político-econômico e social islâmica, sem perder a identidade religiosa e as antigas tradições características do povo. A longa convivência com a civilização árabe levou os judeus a reforçar o patriarcalismo, o gosto pela música, a dança e sua alimentação. O uso da língua árabe se tornou comum entre os moçárabes, hoje conhecidos como judeus-orientais.
O respeito aos "Povos do Livro" levou os muçulmanos, como prescreve o Corão, a legalizar a presença das minorias - cristãs e judaicas - em seus vastos domínios. No período do Califado (632-1057), um código de leis - Estatuto Dhimmis - foi instituído, obrigando judeus e cristãos a pagar certas taxas e impostos que lhes permitissem viver em terras muçulmanas, sem terem aceito Alá. O Corão, livro sagrado do islamismo, manifesta-se, de forma clara e inequívoca, sobre a existência das religiões judaica e cristã. Os muçulmanos reconhecem as duas religiões como formas "primitivas, incompletas e imperfeitas do Islã, embora depositárias de uma genuína, ainda que distorcida revelação divina" (2). Pelos Estatutos Dhimmis, tendo pago as devidas taxas, judeus e cristãos poderiam lá residir e manter o exercício livre de suas habilidades profissionais. Não aceitando Alá e o Corão, as duas minorias diferenciavam-se dos cidadãos árabes por opção própria e, como tal, passavam a ser "cidadãos de segunda classe".
Na Baixa Idade Média (século XI ao XV), quando a religião ocupava fundamental importância para a existência humana, os otomanos, procedentes das regiões armênias, iniciaram destemidas conquistas. Em 1453, depois da tomar Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, os otomanos estenderam seus domínios para regiões que iam da Península Balcânica ao Rio Danúbio, na Europa, e à Anatólia, na Ásia Menor. Conquistado o Islã e suas grandes concentrações urbanas, os turcos-otomanos conseguiram instalar-se num único bloco, uma vasta área que contrastava, no século XVII, com as dispersas possessões dos Habsburgos no continente europeu. Atingindo no período o máximo de sua extensão, o poderio do sultão espalhava-se por trinta reinos, abrangendo terras do Mar Mediterrâneo, do Negro, do Egeu, do Vermelho e do Golfo Pérsico.

Notas:
(2) Citações de Bernard Lewis: Os judeus do Islã. Rio de Janeiro: Ed. Xenon, 1990, p. 22 e 37. |
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