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Eis o endereço do site, com vistas às autoridades que dispõem de leis anti-racistas para aplicar nesses bandidos: http://www.front14.org/nsww/1s.html. Não seria o caso de ir até as últimas conseqüências na condenação dessa gente? Não é uma nova roupagem, agora eletrônica, de um ódio secular e injustificável?

Somos irmãos

O avanço dos estudos genéticos, com a elucidação do genoma humano, leva à crença de que, por exemplo, judeus e árabes são irmãos (e não mais somente primos, como se acreditou durante tanto tempo). Acreditando no mesmo D'us único e todo-poderoso, tiveram momentos de grande entendimento, como nos mil anos que conviveram na Espanha. Por que, hoje, também esse sentimento não pode prevalecer, para o bem dos povos respectivos?

O entendimento com o cristia-nismo hoje é uma realidade, devida em grande parcela à compreensão desse grande humanista que é o Papa João Paulo II. Quando ele afirmou, há alguns anos, que "devemos prestar mais atenção no que dizem os nossos irmãos mais velhos, os judeus", fincou raízes fortíssimas na valorização da proclamada civilização judaico-cristã, colocando de lado elementos que aparentemente justificavam o anti-semitismo, como o alegado deicídio atribuído aos judeus. Foi com esse novo espírito de entendimento que a Editora Vozes, católica, encomendou-me o "Livro da Sabedoria Judaica", que hoje alcançou diversas edições, inclusive no mundo hispânico, a partir do México. É por esse caminho que se pode e se deve alargar o entendimento.

Praticar o bem

Se se deve praticar eficazmente o bem, como queria o filósofo Kant, a primeira tarefa é fazer da lei moral o grande instrumento de ação. E isso parte do pressuposto de que se deve ter o homem bom. A razão é de Kant: "Como pode uma árvore má produzir bons frutos?" Aí vem o papel da educação, também no conceito do grande filósofo alemão: "O homem só é homem pela educação". Para que, bem formado, possa praticar os mandamentos que se encontram na lei de D'us. Semelhante conhecimento de todos os nossos deveres como mandamentos divinos é, de acordo com os conceitos de Kant, a essência da religião.

Pode existir o encontro entre a filosofia kantiana e o judaísmo. Há aspectos comuns entre a compreensão de Kant e a confiança judaica no D'us que abrirá ao seu povo um novo caminho para o cumprimentos dos seus mandamentos, contra todas as resistências externas dos inimigos ou de um coração pecador. Isso explica porque filósofos judeus se acercaram do pensamento de Kant, especialmente Hermann Cohen, Franz Rosenzweig e Martin Buber, enquanto no país que foi berço dessa idéias prosperou uma ideologia que trouxe como conseqüência a bestialidade da II Guerra Mun-dial. A qualidade ético-religiosa tão proclamada não foi suficiente para deter os que, mesmo falando em nome da religião, na verdade não passaram de monstros morais. Quando o mundo se depara com a revivescência do nazismo, pode-se recordar Cohen: "O indivíduo emerge para a humanidade ética". E ela pressupõe respeito e humanidade.

A menos que o D'us de que falamos não seja o mesmo D'us dos criminosos de guerra. É uma hipótese que merece um estudo aprofundado.

O exemplo de Anne Frank

A vida de Anne Frank, em sua curta existência, tornou-se um símbolo. Conheci a casa, em Amsterdã, onde viveu o seu martírio. Olhei pela janela em que ela via o céu e, como manifestação humana, somente havia o campanário da igreja próxima. A casa foi preservada, para que se recorde sempre o significado do seu sacrifício. Ela morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, em 1945. Os dois anos de clausura, no sobrado holandês, foram registrados no seu histórico Diário, para que nada seja esquecido, desse período trágico. É isso que fazemos, quando recordamos, a qualquer pretexto, o que representou a perseguição nazista ao nosso povo. Para que não volte jamais.

Brasil: 500 anos de liberdade

E o Brasil, em todo esse processo? É sabido que, desde os primórdios, judeus e cristãos-novos habitaram a terra brasilis. Houve Tribunal do Santo Ofício entre nós, com o sacrifício de dezenas de crentes na fé mosaica. Mas é indiscutível que vivemos, com raras exceções, numa pátria em que prevalece a liberdade. As agressões a esse sentimento profundo são exceções que cumpre condenar, pois causa repugnância qualquer tipo de preconceito ou discriminação.
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