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| NOVAS ROUPAGENS DE ANTIGAS IDEOLOGIAS |

Foto Ilustrativa
"O nazismo morreu? E o fascismo?
São doenças que vão e voltam, como certas pragas que merecem a nossa vigilância permanente".
| Edição 30 - Setembro de 2000 |
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Se o indivíduo tem uma formação nazista - e isso é quase de berço - como se pode supor que ele seja bonzinho, apesar de nazista? Ainda recentemente, tivemos esse tipo de discussão com certas lideranças. O governo austríaco mereceu a mais ampla repulsa das nações democráticas do planeta. Não se pode ter contemplação com essa gente, que busca reviver, com novas roupagens, a ideologia que custou a morte de 20 milhões de pessoas inocentes, das quais seis milhões de judeus.
O nazismo morreu? E o fascismo? São doenças que vão e voltam, como certas pragas que pedem a nossa vigilância permanente. No mundo que comemora a descoberta do mapa genético dos seres humanos para curar doenças antes insuperáveis, como se pode conceber a existência de amantes do pensamento racista, preconceituoso e discriminatório, que marca hoje os neonazistas em todas as latitudes?
Não subsiste a idéia confortável, mas falsa, de que isso é coisa de Europa. Lá nasceu e prosperou a idéia que teve em Hitler o seu maior nome, mas antes mesmo da explosão da comunicação universal, que é mais recente, os seus lamentáveis princípios alcançaram outros continentes, chegando mesmo ao Brasil, onde se assinala a presença de skinheads caboclos, capazes de cometer toda espécie de violência contra minorias, como judeus, negros, ciganos e homossexuais, como se a esses fosse vedada a possibilidade de viver. A cada momento, sinagogas são profanadas e livros como o famigerado "Protocolos dos sábios de Sião" são editados, para despertar a nossa vigilância. Na semana passada, depois de assistir ao lançamento do segundo romance de Arnaldo Bloch, "Talk Show", passamos defronte à recém inaugurada sinagoga do Beit Lubavitch, no Leblon, e vimos com pesar um dos seus muros completamente grafitado. Isso tem cabimento?
O fascismo faz uma dupla natural com o nazismo. A derrota na II Guerra Mundial, com a liquidação do Duce, não foi lição suficiente para a sua eliminação e ele aparece, hoje, com diversas facetas igualmente perversas.
Como judeus brasileiros, todos esses elementos mexem com a nossa sensibilidade, a que se deve agregar outra escola de violência e terror que é o fundamentalismo islâmico, aparentemente em fase de progressiva expansão. O Irã e o Iraque, como temos visto pelos veículos de comunicação de massa, sem contar outros países de menor expressão, valorizam a idéia de que se deve resistir à modernização das sociedades, para implantar sistemas de governo ditatoriais e fechados. Nada de acordos de paz, nada de ampliação das oportunidades de acesso feminino ao trabalho regular ou até mesmo à educação, para que se mantenham os privilégios de famílias e homens que comandam a política e os interesses nessas nações atrasadas. A quem essa conduta serve? Governos de pai para filho, como se tornou comum, são democráticos?
Site nazista
Não temos direito ao sossego. Sempre costumo dizer que é difícil ser judeu, em qualquer circunstância. Difícil e honroso, é claro. Outro dia, minha sogra, Paulina Dain Buchmann, foi alertada por sua amiga, Bertha Bronstein: "Sabe que no computador do meu filho apareceu uma lista de 200 judeus brasileiros que devem ser discriminados?"
São pessoas que, felizmente ainda vivas, têm presente na memória o que representou o Holocausto. Viveram essa época negra da história, perderam parentes, sofreram muito. Sempre sobra, no seu espírito, a insegurança, de alguma forma, de que esses dias terríveis possam voltar. E agora aparece, na indescritível Sociedade da Informação, um grupo de neonazistas brasileiros, possivelmente inspirados por movimentos de fora, para apontar à execração pessoas que são ou supostamente poderiam ser judeus brasileiros.
O site, como disse Fritz Utzeri, pode ser encarado como "uma lista de Schindler ao contrário". Coloca em dúvida a cidadania brasileira dos elementos citados, muitos dos quais prestam serviços inestimáveis ao País. |
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