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Maimônides: comentários sobre a Mishná escritos em judeu-árabe, Marrocos ou Egito, 1161-68
O hebraico sempre influenciou a sua cultura, dando origem a vários outros idiomas que mesclavam os sons de seu novo lar com sua língua milenar. Assim nasceu o ladino, na Espanha cristã, o ídiche, na Europa do Leste, e o judeu-árabe, no rastro das conquistas islâmicas dos séculos VII e VIII que fizeram do árabe a língua-mãe de diversas nações.
| Edição 30 - Setembro de 2000 |
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Durante a maior parte da Idade Média os judeus que viviam nas áreas sob domínio islâmico eram a parte maior e mais ativa do povo judeu. Os que viviam nas áreas cristãs na Europa, eram uma minoria e, com raras exceções, a produção criativa e significativa na vida judaica da época ocorreu no Islã. Só no final da Idade Média o centro de gravidade da vida judaica, tanto em número como em importância, desloca-se da Ásia para Europa, do Islã para o cristianismo.
As invasões islâmicas provocaram várias mudanças entre os judeus que viviam sob seu jugo e entre elas uma mudança lingüística.O árabe tornou-se a língua do cotidiano e do comércio, a língua da filosofia, da ciência e da política. A aramaico foi relegado para uso litúrgico, o grego esquecido e o latim era pouco usado mesmo na Europa. O resultado foi o nascimento de uma língua híbrida: os judeus passaram a escrever o árabe com caracteres hebraicos. Sábios, poetas e comerciantes escreviam usando este tipo de escrita. Yehuda ha-Levi, Maimônides, Rabi Ibn Pakuda, entre outros, escreveram várias de suas obras em judeu-árabe.
Este idioma passou por vários processos de mudança. Durante o período próximo à Idade Média, possuía sons mais homogêneos e uma estrutura léxica e sintática muito mais próxima do árabe clássico, incluindo alguns modelos morfo-fonéticos de dialetos árabes medievais.
Com o passar dos séculos foi sendo substituído pelo chamado Judeu-Árabe Moderno (JAM), que refletia, acima de tudo, a pluralidade dos dialetos árabes e suas diferenças. Em cada país em que era falado, o JAM possuía características singulares, sendo influenciado pelos dialetos árabes. O JAM era usado pelos judeus em sua vida sociocultural, pessoal e também na produção jornalística e literária. Todos os dialetos do JAM utilizavam caracteres hebraicos.
Até a recente dispersão total das várias comunidades judaicas dos países árabes, o JAM era a língua mais usada entre os judeus do Iêmen, Iraque, Síria, Líbano, Egito, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos. Apenas no Iêmen, na Tunísia e no Marrocos há remanescentes das comunidades que ainda se comunicam através do JAM. A maioria dos que sabem falar algum dos dialetos do JAM, vivem atualmente em Israel, França e Canadá. Alguns poucos estão nos Estados Unidos e no México. O JAM era também falado em Bombaim e em Calcutá, na Índia, países nos quais judeus iraquianos fundaram algumas comunidades nos finais do século XIX e início do XX. Alguns do dialetos do JAM lá falados traziam influência, em maior ou menor grau, dos dialetos árabes medievais usados pelos judeus de Sanna, Bagdá, Damasco, Alepo, Cairo, Alexandria, Túnis, Fez e Marraquesh.
De modo geral, os dialetos do JAM possuíam ricos componentes lingüísticos de hebraico e aramaico; uma ampla variedade de palavras usadas para a tradução dos textos bíblicos tradicionais, talmúdicos e pára-litúrgicos, além da romanização dos léxicos de alguns dialetos.
Com a chegada ao Norte da África de milhares de judeus que falavam ladino (judeu-espanhol) após sua expulsão de Portugal e da Espanha, este idioma também passou a influenciar o JAM a partir do século XVI.
No final do século XIX, houve maior romanização dos seus vários dialetos - exceto o falado no Iêmen - principalmente por causa da expansão do império colonial francês e com o conseqüente estabelecimento de várias escolas da Alliance Israélite Universelle em todo o Mediterrâneo. |
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