Também consta na Torá claramente (Deuteronômio 18:10) que não haverá entre nós feiticeiros, quiromantes e assim por diante. Também o Talmud nos diz que não podíamos consultar os caldeus, que eram astrólogos. Da mesma forma, mencionamos de passagem que os judeus não procuram necromantes (Deuteronômio 18:11), as pessoas que chamam os mortos através do espiritismo. Aliás, o próprio Talmud fala que esta técnica não funciona no Shabat, nem esses médiuns conseguem chamá-los, uma prova clara de que o Shabat é realmente o descanso das almas.
Esta proibição em consultar astrólogos não diminui em nada os conhecimentos da astronomia e astrologia. Os judeus sempre possuíram conhecimentos profundos nestas ciências, como os grandes rabinos Saadia Gaon, Shmuel HaNaguid, Ibn Ezra, Gershônides, Nachmânides, Isaac Abarbanel, Isaac Abohab e assim por diante. Isto, porém, ocorria apenas no âmbito do conhecimento. Por exemplo, Pedro Álvares Cabral, para chegar ao Brasil, utilizou mapas do famoso rabino Zacuto, grande erudito em astronomia e cartografia.
O conhecimento não implica em comportamento. Os judeus nunca consultaram a astrologia para determinar se deviam ou não exercer determinada atividade, cientes de que, afinal, o comportamento do homem era o deter-minante, a cada instante, do seu destino. Judeus não consultam quiromantes e astrólogos, nem sequer os horóscopos impressos nos jornais. Isto não faz parte dos nossos hábitos de leitura.
Muitas vezes alguém lê o horóscopo pela manhã e lá está escrito que não terá sucesso em seu trabalho durante o dia. Este fato o deixa deprimido, o que ocasiona, realmente, um dia fracassado... É por este motivo que nos refreamos de qualquer leitura para deixar o nosso livre-arbítrio intacto, para optar sempre pelo bem, mantendo a confiança e o otimismo.
É permitido aos não judeus consultar os astros?
Sim. De acordo com o código da lei judaica, não há proibição para um não-judeu consultar astrólogos, horóscopos ou até mesmo se comportar de acordo com a influên-cia dos astros, os desígnios celestes. Prova disto é um versículo explícito na Torá (Deuteronômio 4:19) onde D'us diz: "Você poderia levantar seus olhos para o céu e, ao ver o sol, a lua, as estrelas e todas as hostes celestes, deixar-se induzir (...) todavia o Eterno, teu D'us os deu e repartiu para as nações abaixo do céu."
Também encontramos um versículo parecido nos livros dos profetas, onde Jeremias (10:2) diz: "Assim, disse o Eterno, (...) não se deixem impressionar perante os signos celestiais porque as nações se deixam impressionar perante eles."
Então, não é proibido que as nações consultem o horóscopo.
E os símbolos do zodíaco? Têm ligação com o judaísmo?
Sem dúvida. Já que o nosso calendário é lunar, e os símbolos do zodíaco correspondem ao mês lunar, então cada um dos nossos meses corresponde a um desses símbolos.
Isto não ocorre por acaso, como é possível perceber em alguns exemplos. O primeiro mês do ano, Nissan, o seu signo é capricórnio - carneiro - e, justamente no mês de Nissan, sabemos que há o cordeiro pascal; o carneiro é o mês do corban de Pessach. É o mês no qual nós também vencemos os egípcios, que adoravam e veneravam este animal.
O segundo mês do ano é touro. Observando bem, podemos notar que os dois primeiros meses do ano são animais. Isto porque nestes dois meses trabalhamos com a nossa alma animal a fim de melhorar a nossa má inclinação para receber a Torá no terceiro mês, que é o mês de Sivan, gêmeos. E gêmeos, que são dois, representam a comunicação, a outorga da Torá, o casamento entre D'us e o povo de Israel, que muitas vezes seus amores são semelhantes a gêmeos. Gêmeos também representa a Torá escrita e a Torá oral, pois a Torá sempre foi dupla, e foi outorgada por uma dupla, Moshé e Aaron, parecidos como gêmeos.
O signo do sexto mês, o mês de Elul, é virgem, que representa a pureza, o branco, a santidade. O mês de Elul é exatamente o mês da pureza, da teshuvá, do retorno a D'us. O mês no qual fazemos os preparativos para Rosh Hashaná.
O mês seguinte é balança, Tishrei, quando D'us julga a humanidade e coloca os nossos atos em uma balança e realmente decide como será o próximo ano.
Segue-se Cheshvan, cujo símbolo é escorpião, um inseto que vive nas águas.
Cheshvan, de fato, é o mês do dilúvio, quando começou a famosa inundação que quase destruiu a humanidade. Sabemos que, em hebraico, escorpião é acrav, que se escreve também acar beit, aquele que destrói a casa, destrói o mundo. O dilúvio quase destruiu o beit, o universo. |