GENÉTICA E JUDAÍSMO


Foto Ilustrativa

Estudos recentes no campo da genética confirmaram que os judeus de várias comunidades da Diáspora preservaram sua identidade genética durante o exílio. Apesar da separação geográfica durante quase dois mil anos, as comunidades judaicas distantes compartilham um perfil genético quase idêntico.


Edição 30 - Setembro de 2000
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Esta pesquisa confirma uma ascendência comum e uma origem geográfica comum aos judeus do mundo todo. Também confirma que as comunidades judaicas se mantiveram relativamente isoladas das populações vizinhas não judaicas.

A antropologia genética judaica se propõe a trilhar a história das populações judaicas e resolver o debate sobre as origens e as migrações das comunidades da Diáspora. Vale-se da análise do cromossomo Y, que passa inalterado de pai para filho homem, e do DNA mitocondrial, que passa inalterado de mãe para filho ou filha.

A pesquisa pretende verificar se os judeus contemporâneos podem ser considerados descendentes dos antigos hebreus da Bíblia, e se a herança genética ancestral acabou diluída em virtude de conversões e casamentos mistos.

Foram estudadas 29 populações, 7 delas judias, agrupáveis em cinco grupos maiores: judeus, populações não judias do Oriente Médio, europeus, norte-africanos e africanos.

Os resultados indicaram que os judeus, separados durante séculos na Europa, Oriente Médio, África do Norte, Península Arábica, possuem uma grande semelhança genética, compartilhando uma origem geográfica comum.

As comunidades judaicas são mais próximas geneticamente às outras populações semitas do Oriente Médio - palestinos, sírios e druzos, por exemplo - do que às populações não judias vizinhas.

Sobre os judeus ashkenazim, discutia-se se descendiam dos Kusari, uma população turco-asiática que se converteu em massa ao judaísmo no séc. VIII, ou de grupos étnicos eslavos oriundos dos Bálcãs, que também se teriam convertido ao judaísmo. Estas teorias foram facilmente desmentidas pelo resultado das análises genéticas, que demonstraram entre as populações ashkenazim, separadas há 1200 anos e vivendo na Europa Central e Oriental, a mesma herança genética das outras comunidades judaicas e dos grupos de origem semita do Oriente Médio.

O resultado das pesquisas corrobora a tradição judaica. Após viver 1.000 anos na terra de Israel, os judeus se dispersaram no exílio. Algumas comunidades da Diáspora se mantiveram estáveis por 2.000 anos, como a da Babilônia (Iraque) e a da Pérsia (Irã). Outras surgiram séculos depois, após sucessivas migrações à Europa e à África do Norte.

No exílio as comunidades se mantiveram fiéis a seus costumes e tradições, permanecendo culturalmente isoladas.

Estes estudos testemunham a fidelidade familiar dos judeus. Estes representam a única população humana que conseguiu preservar sua identidade genética por mais de 100 gerações!

Outro capítulo da antropologia genética judaica estuda os Cohanim. De acordo com a tradição, os Cohanim são descendentes diretos de Aaron, irmão de Moshé. Representam a família dos sacerdotes e são membros da tribo de Levi. São responsáveis pelos serviços do Templo.

A transmissão do título de Cohen é patrilinear, transmitida de pai para filho, sem interrupção, há 3.300 anos, ou mais que cem gerações.
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