Estimulando o paciente a relembrar suas memórias reprimidas, Freud pode analisar as experiências esquecidas causadoras de neuroses. Tomou consciência de um conflito existente entre um instinto inaceitável para a sociedade e a resistência da pessoa ao instinto. Repudiando este instinto ou desejo, reprimindo-o no inconsciente, a pessoa procuraria substituí-lo por outros métodos de compensação, que causariam os distúrbios mentais ou físicos.
A finalidade da terapia psicoanalítica, de acordo com Freud, era descobrir as necessidades reprimidas para se poder julgar racionalmente a aceitação ou repúdio do impulso.
A própria histeria seria uma forma de manifestação da neurose. No "Estudo sobre Histeria", publicado em 1895 em parceria com o médico Joseph Breuer, foi descrita pela primeira vez a teoria de que as emoções reprimidas levariam aos sintomas da histeria. Estes sintomas poderiam desaparecer se o paciente conseguisse expressar as emoções reprimidas que lhe impediam de lidar com uma vida normal.
No esforço de compreender melhor seus pacientes, Freud iniciou um difícil processo de auto-análise para o qual não possuía nenhum caminho traçado e nenhum predecessor.
Valeu-se apenas da introspecção e da anotação de seus sonhos. Foi o primeiro a desenvolver uma exposição sistemática do inconsciente, que marcou o início da psicanálise, termo este por ele usado pela primeira vez em 1896.
Esta fase culminou com a publicação, em 1899, de "A interpretação dos Sonhos", uma obra prima, embora tivesse vendido inicialmente um número irrisório de cópias. Freud afirmava serem os sonhos "a estrada mestra para o inconsciente". Considerou os sonhos como a realização de desejos íntimos. De acordo com Freud, se estes desejos se tornam demais poderosos para serem mantidos no inconsciente e demais inaceitáveis para serem reconhecidos, pode instaurar-se uma neurose.
Na obra sucessiva, de mais fácil leitura, "Psicopatologia da Vida Cotidiana", Freud encontrou um público mais vasto. Explicava através da psicanálise o significado de lapsos de língua e esquecimentos. Nos procedimentos mentais ele não admitia a existência de meros acidentes: o pensamento aparentemente mais sem sentido, o lapso mais casual, o sonho mais fantástico possuem um significado que pode servir para desvendar os segredos da mente.
Em 1905 Freud publicou os "Três Ensaios sobre a Sexualidade". Nunca antes na literatura médica o tema do desenvolvimento da sexualidade normal e patológica tinha sido abordado de forma tão aberta. Freud afirmava que o impulso sexual, ou libido, vivido nos primeiros quatro ou cinco anos de vida representava uma força determinante.
Mesmo encontrando dificuldades para ser reconhecido pela medicina acadêmica tradicional, Freud conseguiu um grupo fiel de discípulos, com quem se reunia todas as quartas-feiras à noite, em seu apartamento na Berggasse 19, para discutir questões psicoanalíticas e esmiuçar casos clínicos. Este grupo deu origem, em 1908, à Sociedade Psicoanalítica de Viena.
Estes pioneiros, trabalhando nos limites da ciência, tinham seus desentendimentos. Freud sentia uma grande responsabilidade em divulgar seus ensinamentos e tinha uma certa intolerância em relação a opiniões divergentes. Seus mais fiéis adeptos eram Karl Abraham, Sandor Ferenczi e Ernest Jones, enquanto Alfred Adler e Carl Jung eram discípulos e amigos que acabaram tornando-se dissidentes e considerados heréticos.
Adler desenvolveu teorias em que a agressividade tem ênfase maior que a sexualidade na origem das neuroses. Dele é o conceito de complexo de inferioridade. A perda de Jung foi muito mais dolorosa para Freud, que nele tinha posto as esperanças de encontrar um herdeiro que transmitisse a psicanálise às futuras gerações, projetando-a fora do pequeno ambiente judaico de Viena ao qual se limitava, sendo considerada quase uma "ciência judaica". Jung parecia perfeito: era jovem, suíço, protestante. Mas, como Adler, Jung também começou a ter opiniões divergentes. Ele não estava muito à vontade com o papel prioritário dado por Freud ao desejo. Quando Jung se tornou profundamente místico, a ruptura entre os dois ficou inevitável.
Com a explosão da I Guerra Mundial, o movimento psicoanalítico evoluiu mais lentamente. O fim da guerra trouxe grandes modificações político-geográficas e os tratados eram particularmente severos com os países vencidos. Viena sofria de fome, frio e desespero. Voltaram epidemias mortais, como tuberculose e gripe.
A miséria do pós-guerra se abateu dolorosamente sobre Freud, que, em 1920, perdeu a amada segunda filha Sophie, casada em Hamburgo e mãe de dois filhos, vítima da epidemia de gripe. |