HOMENS DA HISTÓRIA
SIGMUND FREUD


Sigmund Freud

Ele abriu uma janela sobre o inconsciente - onde o desejo, a agressividade e a repressão lutam pela supremacia - e mudou nosso jeito de vermos a nós mesmos.


Edição 29 - Junho de 2000
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Entre os pensadores de origem judaica que mais contribuíram para a humanidade, Freud ocupa um lugar de destaque. Foi uma personalidade revolucionária, "o maior dos inovadores judeus" nas palavras de Paul Johnson em "A History of The Jews".

Mesmo controvertido, nenhum outro explorador da psique penetrou tão profundamente na tentativa de moldar a mente humana do século XX. Seu impacto ultrapassou os limites da psicanálise, abrangendo várias áreas da cultura, como arte, literatura, religião, antropologia, e outras.

SUA VIDA

Sigmund Freud nasceu em 1856 na pequena cidade de Freiberg na Morávia, então parte do Império Austro-Húngaro. Hoje chama-se Pribor e faz parte da República Checa. Seu pai, Jacob, era um modesto comerciante e sua mãe, Amália, jovem e bonita, era a terceira esposa de Jacob, e só falava iídiche.

Quando ele estava com quatro anos de idade, a família mudou-se para Viena. Era a época da abertura liberal do império dos Habsburgos, que permitiu aos judeus nutrir esperanças de progresso econômico, participação política e aceitação social. Primogênito de sete irmãos, era o preferido da mãe, e foi estimulado a cultivar grandes ambições. Brilhante nos estudos, teve o privilégio de ter um quarto só para si, para poder estudar em paz. Na escola, ano após ano, era o primeiro da classe.

Em 1873, aos 17 anos, matriculou-se na faculdade de Medicina da Universidade de Viena, buscando não uma carreira tradicional de médico, mas assumindo uma postura filosófico-científica que, com sua sede de conhecimento e curiosidade, o levaram a aceitar o desafio de desvendar alguns dos enigmas que assolam a humanidade. Nos anos de faculdade trabalhou num laboratório de neurofisiologia até sua formatura, em 1881, mostrando-se brilhante pesquisador, profundo observador e dotado de ceticismo científico. Herdou de seus mestres o rigoroso positivismo, que não deixava espaço à especulação metafísica na interpretação dos fenômenos naturais.

Em 1882, ansioso para progredir na vida, deixou a contragosto o laboratório de neurofisiologia e entrou no Hospital Geral de Viena. Meses antes conhecera Martha Bernays, uma delicada e atraente jovem de Hamburgo, neta do Rabi Isaac Bernays, o primeiro a formular a ortodoxia judaica moderna. Freud se apaixonou por ela e noivaram secretamente, pois eram pobres demais para arcar com o padrão de vida burguês que ele e sua noiva consideravam essencial.

Foi só quatro anos depois, em 1886, quando Freud tinha já um consultório particular, e com a ajuda de presentes de casamento e empréstimos, que o casal pode realizar sua união.

Em nove anos tiveram seis filhos. A mais nova, Ana, confidente, secretária, enfermeira, discípula e porta-voz do pai, tornou-se também uma eminente psicanalista.

Antes de se casar, Freud trabalhou durante seis meses em Paris com o renomado neurologista francês Jean-Martin Charcot. Com este observou o uso da hipnose no tratamento da histeria e viu estimulado seu interesse para os distúrbios mentais. Nos anos seguintes tornou-se especialista em doenças nervosas e fundamentou a teoria psicanalítica da mente.

SUA OBRA

Freud lidava especialmente com mulheres que sofriam de histeria. Insatisfeito com a eficácia apenas temporária da hipnose no tratamento dos sintomas neuróticos e histéricos, pesquisou outras técnicas, desenvolvendo o que até hoje continua sendo a base da técnica psicoanalítica: a livre associação, em que o paciente é convidado a relaxar e referir tudo que lhe vem à mente. À medida que o paciente fala, vêm à tona faíscas do seu inconsciente.
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