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Centenas de preceitos da Torá, inclusive as dezenas de preceitos morais e éticos, referem-se a viver uma vida "santificada", uma vida nobre, uma vida de humanismo, de civilidade, uma vida de "mentschlich" - em ídiche, de um verdadeiro Homem, na plenitude de seu significado.

Temos aqui apenas dois exemplos do estilo de vida que a Torá busca incutir em nós.

O Rabi Shimon ben-Shetah comprou uma mula de um ismaelita, conta-nos o Midrash Devarim Rabá 3:3. Quando os seus discípulos preparavam o animal para que o mestre o montasse, encontraram uma pedra preciosa em seu pescoço. Disseram a Rabi Shimon, "Mestre, um golpe de sorte Divino nos traz riqueza" (Provérbios, 16:22).

O Rabi lhes respondeu: "Comprei uma mula, não uma pedra preciosa". E devolveu a pedra ao ismaelita, que proclamou: "Bendito seja o D'us de Shimon ben-Shetah" (Devarim Rabá 3:3).

Rabi Israel Lipkin, de Salant, era muito escrupuloso em sua observância dos preceitos. Dentro dessa linha, ao se aproximar a época de Pessach, ele próprio supervisionava pessoalmente o cozimento das matzot.

Em determinado ano, o Rabi adoeceu e seus discípulos se ofereceram para supervisionar o cozimento. Antes de irem à fábrica de matzot, perguntaram ao mestre se deviam atentar para algo em especial.

O rabino lhes respondeu: "Certifiquem-se de que as mulheres que trabalham sejam pagas de acordo com o difícil trabalho que realizam".
"O segredo é pôr em prática o que se aprendeu e não apenas aprender". (Mishná Avot 1:17).

O sábio de Kotzk ao qual nos referimos acima, ao falar sobre um estudioso que se gabava de não fazer outra coisa a não ser estudar dia e noite, afirmou: "Ai, com todo este tempo que ele dedica a estudar, que tempo lhe sobra para realmente saber alguma coisa ?"

Por que D'us, entre todos os povos, deu a Torá aos judeus ?

Segundo Rabi Meir, recebemos a Torá pelo fato de nós, judeus, sermos azim - uma gente intensa, obstinada, impertinente, persistente.

Rabi Shimon Ben-Lakish agrega que há três exemplos de azim: os judeus, entre todos os povos; o cão, entre os animais; e o galo, entre as aves.

E outros estudiosos vão além. Se os judeus não tivessem recebido a Torá (para nos exaurir com seu estudo e com o respeito a seus preceitos - comentário de Rashi), nenhuma nação ou cultura, no mundo, conseguiria opor-se a nós. (Beitzá 25b e Shmot Rabá 42:8). A Torá ensina ao povo judeu a humildade.

Hillel provavelmente o cristalizou melhor que todos os outros, em sua resposta ao descrente que lhe pediu que resumisse a Torá em um "único princípio" (Shabat 31a). Hillel, aparentemente, percebeu a dificuldade, a virtual impossibilidade de amar os próximos como a nós mesmos e, portanto, sugeriu que tentássemos um nível abaixo. "Não faças a outrem o que não queres que te façam. Esta é a essência da Torá. O resto são comentários".

E concluiu com duas palavrinhas omitidas por muitos dos que o citam: "Zil Gmor" - "Vai e aprende"!
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