Em primeiro lugar são "luzes" (orot). A luz de uma sefirá é o fluxo de energia Divina que está em seu interior e serve para revelar ou expressar a grandiosidade Divina. Em segundo lugar são "vasos" ou "recipientes" (kelim) que "filtram" ou "revestem" a Luz Infinita que as preenche. Trazem esta Luz desde a Fonte de Todas as Fontes, Raiz de todas as Raízes, D´us Infinito, o Ein Sof, até nosso mundo finito. Sem estes "filtros" ou "vestimentas" a Criação seria totalmente dominada pela Luz Divina. Em sua trajetória espiritual, a Luz vai diminuindo, possibilitando que a Criação se aproxime do Criador.
Para tentar entender estes conceitos, pensemos por um instante no sol, uma das menores estrelas criadas por D´us neste universo. Apesar de posicionado a milhões de quilômetros da Terra, sua energia nos dá luz e calor indispensáveis. Mas, se tentarmos fitá-lo, sem proteção, sua luz nos cegará. Imaginemos uma nave espacial tentando aproximar-se do sol. O calor e a energia a aniquilariam !
Do ponto de vista humano, as sefirot podem parecer possuir existência múltipla e independente. Uma sefirá representa a força e o poder do julgamento rigoroso; outra, a bondade e o amor; outra, a misericórdia e assim por diante. Porém, as sefirot e o Ein Sof formam uma unidade, uma existência única.
Moisés Cordovero, cabalista do século XV escreveu a este respeito: "Para ajudar-te a conceber o processo da emanação das sefirot, imagina a água que escorre por vasos de diferentes cores: branco, vermelho, verde e assim por diante. À medida em que a água se espalha nesses vasos, parece adquirir a cor do vaso, embora seja desprovida de cor. A mudança na cor não afeta a água em si, mas apenas a nossa percepção da mesma. O mesmo acontece com as sefirot. A essência não muda; só parece mudar quando escorre dentro dos vasos ".
De onde vêm? O processo de emanação
Numa interpretação mística, o primeiro capítulo de Gênese, ao relatar a Criação, descreve um início, o mais primordial: revela o processo da saída de D'us das profundezas Dele mesmo e a emanação das dez sefirot, ou seja, sua emergência de dentro do Ein Sof, D´us Infinito.
Para se referir a D'us os cabalistas mais antigos cunharam o termo Ein Sof, que significa literalmente "Infinito" ou "Aquele que não tem fim nem limite". Um dos axiomas básicos da Cabala é que o homem não tem meios de entender D´us, Infinito e Imutável, nem tão pouco os Seus motivos. Porém, apesar de D'us ser ilimitado e oculto, Ele se revela a nós parcialmente - e na medida em que cada um de nós pode reconhecer o Seu poder e a Sua existência - através da Criação e das dez sefirot. Em contraste com este D'us "pessoal" das sefirot, Ein Sof representa a transcendência absoluta de D'us.
Segundo o Rabi Isaac Luria, "no início do início" a Luz de D'us Infinito, Or Ein Sof, preenchia toda a realidade, pois D'us é a própria Realidade, sem início e sem fim. Nada havia além da Luz Divina, pois nada pode manter sua própria existência dentro do Ein Sof. Para que o universo passasse a existir como entidade independente, D'us Se "ocultou" e Se "retraiu", cedendo espaço para a Sua Criação. Esta ação não diminui, de modo algum, a Perfeição Divina. Este conceito de ocultamento da Luz Divina é chamado nos textos cabalísticos de tzimtzum (contração). Esta "contração" resultou no aparecimento de um "espaço" vazio, um "vácuo", um "ponto" no qual o universo passou então a existir.
Rabi Haim Vital, cabalista e discípulo do Ari, ao explicar o processo dessa retração Divina, tzimtzum, dá o seguinte exemplo: "A Luz retirou-se como a água de uma lagoa quando agitada por uma pedra. Quando a pedra cai na lagoa, a água que está naquele exato lugar não desaparece, mas se afasta, incorporando-se ao restante. Desta forma, a Luz retraída convergiu-se para o além e no meio ficou o vácuo".
No vácuo primordial criado por este tzimtzum passou a existir a ausência da Luz, a escuridão primordial. Neste "vácuo", D'us emanou um "raio" que serviu de "condutor" da Luz Divina finita. A revelação inicial dentro do "vazio" primordial é a revelação da Luz. Em Gênese, a primeira declaração explícita da Criação foi: "D'us disse: Faça-se a luz e a luz se fez".
A partir deste "raio" de Luz, as dez sefirot emanam de forma sucessiva e em ordem específica. É através destas que D'us - por Sua vontade - limita Sua Luz e manifesta qualidades específicas que Suas criaturas podem apreender e absorver.
De uma forma simplificada, no decorrer do processo de emanação das sefirot são criados cinco universos paralelos - olamot, quase todos espirituais em sua essência. O primeiro Adam Kadmon é completamente ligado e unido ao Ein Sof, na realidade não poderia ser chamado de universo. Segue-se o Atzilut, o mundo da emanação; Beriyá, da criação, Yetzirá, da formação, e, por último, Assiyá, o mundo da ação no qual vivemos. |