Em Israel se publica literatura em ídiche. Tanto em Israel como nos Estados Unidos e na Europa há cátedras dedicadas ao estudo e pesquisa da língua em diversas universidades. Em São Paulo, na USP, leciona-se o idioma. Há um interessante ressurgimento na antiga União Soviética, onde há cursos regulares e seminários para o ensino do ídiche e de assuntos relacionados ao judaísmo, em geral.
Uma prova do interesse que ainda desperta o idioma que embalou grande parte do povo judeu, acalentando-o em suas muitas horas sombrias, foram as recentes comemorações do ano de nascimento de Scholem Aleichem. A organização "Yiddish Lebt" (Ídiche Vive) programou um mês de eventos, em diferentes partes do mundo. Em várias cidades de Israel realizou-se importante festival, com grande sucesso. Em Kiev, capital da Ucrânia, e nas cidades vizinhas, ocorreu o Festival Scholem Aleichem, com a presença dos netos do escritor, que vivem em Nova York. Além de seminários sobre sua obra e sua repercussão, fizeram parte do programa apresentações do coral do exército ucraniano, cantando músicas populares em ídiche.
Já em Toronto, no Canadá, incorporou-se às celebrações pela chegada do milênio uma programação intitulada "Mil anos de ídiche". Publicou-se uma brochura especial analisando o aparecimento, desenvolvimento e o alcance da língua - que tem palavras e expressões incorporadas no inglês falado tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá - e de sua rica literatura durante seus mil anos de existência ininterrupta.
Aqui em São Paulo, a Universidade Popular de Ídiche e Cultura Judaica, ademais de ser um núcleo vivo sobre o assunto, como bem indica seu nome, anualmente encerra suas atividades com um festival de ídiche, que desperta enorme interesse.
Mas, voltando à pergunta que me é feita, com tanta freqüência, e com a qual iniciei este artigo, só o tempo nos dará essa resposta...?
Fany Rozentraub acaba de receber, em janeiro deste ano, em Tel Aviv, o título de "Honorary Life Member" da Wizo Mundial; é membro do Comitê Mundial de Ídiche e Cultura Judaica, sediado em Israel; há 3 décadas dirige a Universidade Popular de Ídiche e Cultura Judaica da A Hebraica/SP; é tradutora juramentada ídiche/português pela JUCESP/SP; Cidadã Paulistana e foi condecorada com a Medalha Anchieta por trabalhos comunitários. |