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Das Colinas do Golan saem as famosas marcas Yarden, Golan e Gamla, além do menos popular, mas também de boa qualidade, Katsrin. Este último, aliás, foi classificado entre os cinqüenta melhores vinhos de todo o mundo, conquistando inclusive consumidores não judeus. Exportado para todos os países europeus e do mundo, em geral há mais de doze anos, o vinho casher conseguiu conquistar o paladar dos consumidores e enólogos.

França

Atualmente, quase todas as tradicionais regiões produtoras de vinho na França - o maior produtor mundial de vinhos clássicos - estão envolvidas na fabricação do produto casher: Bordeaux, Bourgogne, Côtes-du-Rhones.

O sucesso deste tipo de vinho fez com que até o ator Gérard Depardieu dedicasse boa parte de seus famosos vinhedos à fabricação de safras casher para a comunidade judaica. No entanto, por trás do aperfeiçoamento da qualidade dos produtos com o selo de cashrut, nos últimos anos, está o consumidor, cada vez mais exigente em relação ao que o mercado tem a lhe oferecer.

Estados Unidos

Os vinhos casher produzidos nos Estados Unidos atualmente também figuram entre a lista dos preferidos do público, uma situação bem diferente da registrada no país há 15 anos. O vinho Hagefen, por exemplo, produzido na região de Napa Valley, está entre os mais pedidos no prestigiado Hotel Fairmont, em São Francisco. Vinhos com o selo Hagefen têm sido servidos também na Casa Branca.

Produzidos com todos os cuidados, as variedades levemente seco, semi-seco e doce são algumas das fabricadas nos Estados Unidos sob os selos Gan Eden, Hagefen e Weinstock. Korbel, o maior produtor de vinhos começou a fabricar recentemente sua primeira remessa de vinhos casher, enquanto a Canan-daigua Wine Company, o segundo maior produtor da América, depois de Gallo, também iniciou sua produção de Chardonnay, Cabernet e vinho branco com o selo casher Mani-schewitz, de sua propriedade.

Produto diferenciado

O vinho casher vem sendo considerado pelos seus fabricantes um produto diferenciado, que requer, além de todos os cuidados inerentes à sua produção, mais alguns. Deve ser produzido de acordo com procedimentos definidos na Torá.

Na antigüidade o vinho era usado nos rituais pagãos, em libações nas oferendas a ídolos. A libação era um ritual religioso que consistia em derramar vinho como oferenda a uma divindade. Por isso foi proibido ao povo judeu o consumo do vinho produzido ou manuseado por não judeus. Mesmo quando cessou a idolatria, a restrição chamada de Yayim Nesech (Deut. 32:38) continuou válida.

Outro ponto fundamental na produção de vinho casher é que todo o material e equipamento utilizados sejam "casherizados" com água fervente, sem toque manual e, como última etapa, passados em água fria. Tubos, pipetas e bombas devem passar por este processo, que deve ser supervisionado por um rabino ou seu representante.

Em uma fase posterior do processo produtivo, quando o vinho é então colocado em cubas para fermentação, é aplicada a lei denominada milui veyrui. Segundo esta lei, o produto deve ser passado de uma cuba para outra, sendo que cada vasilhame deve ser lavado com águas virgens, ou seja, que não tenham sido usadas para outros fins. Este processo dura em média três dias. Após os utensílios e máquinas serem lavados e "casherizados", recebem um selo com uma rubrica em hebraico de uma autoridade rabínica responsável pela cashrut. O mesmo é feito com o vinho nas cubas.

É importante enfatizar, ainda, que um vinho só será considerado casher se seguir este procedimento e se todos os ingredientes e equipamentos seguirem as mesmas regras. A fase de fermentação, reduzida ou acelerada, só interferirá no selo de cashrut do produto final se a qualidade da levedura utilizada neste processo estiver contaminada por alguma bactéria.

Como vimos, pela Lei Judaica, para o vinho ser considerado casher só pode ser tocado ou manuseado durante todo o processo de fabricação, e mesmo após a garrafa ter sido aberta, por um judeu que respeite os mandamentos da Torá. Esta lei dificulta, sem dúvida, seu consumo. Há, no entanto, uma exceção se o vinho for meshuval, ou seja, "cozido". Isto é, se o vinho passar por um processo no qual durante um curto período de tempo é elevado a uma temperatura alta. Desta forma qualquer pessoa pode manusear a garrafa.

Atualmente é um processo bastante comum e mesmo vinhos não casher passam por algo parecido, um tipo de pasteurização que, na maior parte dos casos, não compromete seu sabor. Só os vinhos mais sofisticados de bouquet mais refinado não passam por este processo e para ser casher devem ser manuseados por judeus praticantes.
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