O RENASCIMENTO DO VINHO


Local de origem do primeiro estabelecimento vinícola em Rishon Lezion.

Especialistas afirmam que o vinho casher tem a mesma qualidade que os vinhos clássicos e é tão bom que está atendendo ao paladar dos consumidores mais exigentes.


Edição 29 - Junho de 2000
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Diz uma velha crença popular que a combinação de vinho com cashrut não dá um bom casamento. Ou seja, que um bom vinho jamais poderia ser casher. Mas, na antigüidade, o Israel bíblico era o berço da uva e do vinho. Sabe-se, também, que os produtos vindos da Terra de Israel eram muito apreciados no mundo antigo, especialmente pelos gregos e romanos. Milhares de utensílios utilizados na fabricação do vinho, encontrados em Israel por arqueologistas, provam a existência passada de uma grande indústria vinícola na região.

As vinhas, as uvas e o vinho delas resultante desempenham um papel especial na vida e no ritual judaico. A palavra "vinho" aparece 207 vezes na Torá; "vinhedo", 92; e "uva", 62. O vinho é a mais importante das bebidas, o que lhe assegura uma bênção especial. Os hebreus foram os primeiros a utilizar o vinho para santificar, desde o nascimento - o brit milá (circuncisão), - passando pela maturidade - o barmitzvá - até chegar ao casamento. O vinho está presente em cada Shabat, em Pêssach, Purim e Rosh Hashaná, entre outras festividades.

Com a dispersão dos judeus, no século I da era comum, a produção do vinho na Terra de Israel foi interrompida. Na época moderna, o primeiro vinhedo foi estabelecido em Jerusalém, em 1884, pelo rabino Shore. Mas foi o Barão Edmond de Rothschild, proprietário da vinícola Chateau Lafitte, em Bordeaux, que investiu no desenvolvimento desta indústria, em Israel, introduzindo as técnicas francesas de vinicultura.

Atualmente, o panorama mudou. Israel está de volta ao mapa dos enófilos e os vinhos casher, produzidos tanto lá, quanto em outros países, estão sendo apreciados no mundo todo. Vinicultores e supervisores rabínicos têm investido não somente tempo, como também muitos recursos para otimizar a produção e incrementar o paladar dos vinhos casher, utilizando para isto técnicas de preparo de vinhos clássicos franceses.

Os responsáveis pela fabricação dos vinhos casher em Israel, na França, nos Estados Unidos e em outros países estão cada vez mais empenhados em obter produtos da melhor qualidade, sem descuidar dos preceitos religiosos que garantem a cashrut de seus produtos. Acreditam que os consumidores apenas de produtos casher apreciam os bons vinhos secos. Foi desmistificada a idéia de que este tipo de público não seria tão exigente e mais, de que não seria possível oferecer-lhes um produto digno de ir para a mesa dos melhores gourmets. Some-se a isto o fato de ser um mercado em expansão, já que constantemente aumenta o número de pessoas que consomem produtos fabricados de acordo com as leis de cashrut.

Israel

Em Israel estão os maiores e melhores fabricantes de vinho casher do mundo. Israel e seu clima mediterrâneo desmistificaram a idéia de que um vinho bom não pode ser produzido em uma região quente.

Em um relativo curto espaço de tempo a indústria de vinho evoluiu de simples produtor de vinho adocicado para ritual, usado para fazer o kidush, ao nível de fabricante de vinhos respeitados nos mercados internacionais. Foi em 1983 que as indústrias de vinho do Golan lançaram um vinho branco, seco e sofisticado, o Yarden Dry Sauvignon Blanc, revolucionando os vinhos casher pelo mundo.

Atualmente, em Israel, mais de 30 milhões de garrafas de vinhos branco, rosé e espumante são produzidos a cada ano. Alguns para serem consumidos no decorrer do ano, outros, mais sofisticados, para serem envelhecidos por anos ou décadas.

Os vinhedos em Israel vão de Beersheva até Arad, no sul do país, e da Alta Galiléia até as Colinas do Golan, no norte. Novos vinhedos foram plantados no planalto de Mitzpeh e espera-se para este ano sua primeira safra comercial.
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