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| NOTÁVEIS "COINCIDÊNCIAS" SOBRE CALOR HUMANO E DEVOÇÃO |

Notáveis coincidências
No judaísmo não existem coincidências. Estas coincidências nada mais são que "pequenos milagres" que testemunham a Presença Divina no nosso cotidiano. Estes milagres fazem-nos perceber que nossas vidas têm um propósito. Eu já tinha uma afinidade especial com os mendigos que se enfileiravam nas esquinas dos cruzamentos mais afluentes de Nova York, implorando a transeuntes apressados com olhos compridos e preocupados: "Me arruma um troco, dona?"
| Edição 29 - Junho de 2000 |
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Pedágios humanos", como um dos cínicos jornalistas os descreveu, furioso com o constante aumento no número de pedintes e indignado de se ver repetidamente, invadido, violado em sua privacidade.
Eu, no entanto, sentia a coisa de outra forma. Depois que um conhecido nosso - altivo, respeitado, profissional e abastado - teve um súbito ataque de nervos, desapareceu de casa e foi encontrado por detetives, uma semana mais tarde, vivendo sob os trilhos do Terminal da Grand Central, minha perspectiva de vida mudou para sempre.
"Se aconteceu com ele, pode acontecer com qualquer um de nós", sussurrava uma voz dentro de minha alma. "Será que você é arrogante ao ponto de pensar que poderá passar incólume pelas vicissitudes da vida?"
Guiada pelos ensinamentos espirituais eu repetia "sigo pelas veredas do Senhor", comecei a ver essas pessoas sofridas com um olhar diferente, mais brando, mais meigo.
Assim, nunca dei menos do que um dólar para esses pobres coitados. Por trabalhar em Greenwich Village, que parece densamente povoado por essa gente (talvez em virtude de os residentes do bairro serem conhecidos por sua liberalidade e tolerância), tinha encontros freqüentes com essas almas penadas.
Não era raro migrarem de minha bolsa várias notas de um dólar para parar em suas mãos suplicantes. Quando começava a me parecer demais, eu me repreendia: "Você hesitaria em comprar para si própria uma batida de frutas ($3,50), uma fatia de pizza e um refrigerante ($2,25), umas revistas para ler no fim de semana ($10)? Então não é mais importante deixar que este pobre coitado coma feito gente?"
E aí, para me sentir ainda mais cheia de compaixão, dizia em voz baixa o meu mantra predileto: "Sigo pelas veredas do Senhor".
Certa noite, estava na porta do edifício do meu escritório, na Rua 12 com a Broadway, esperando pelo meu marido que viria me buscar de carro. Para variar, como era seu antigo hábito, ele estava atrasado. Sombras do anoitecer se aproximavam e criaturas bizarras - vestidas de couro preto, com enfeites de metal, cabelos vermelho púrpura, três argolas no nariz e uma infinidade de tatuagens, a quem eu jamais vira durante o dia, começavam a encher as ruas. Propositadamente comecei a enumerar mentalmente os atributos positivos e os inúmeros méritos de meus marido para me distrair da idéia de que seu atraso costumeiro já me aprontara poucas e boas.
"Por favor, dona, me arranja um troco?" A voz, suave e suplicante, interrompeu o meu devaneio.
Diante de mim se postara um mendigo esfarrapado, de modos mansos, apologético. Seus olhos eram meigos, bondosos, doces. Apesar da vida dura, sua face era luminosa e radiante. Emanava uma certa aura que me fez sentir segura. Entendi, na hora, o que meu mestre espiritual queria dizer quando os chamava de "anjinhos". Este homem obviamente pertencia a essa classe.
Enfiei a mão na bolsa e comecei a tirar uma nota de um dólar. Estava acomodada ao lado de uma de cinco. Senti as têmporas latejarem diante do conflito que se instalava dentro de mim. |
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