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Mas o que tanto procuram nos jovens os comandantes da FAI? "Procuramos algumas qualidades naturais - boas habilidades motoras e cognitivas e um instinto especial em relação ao espaço. Buscamos aquele indivíduo que é corajoso e está pronto a agarrar as chances, por um lado, mas que age de maneira responsável", diz um ex-piloto dos aviões Skyhawk, cuja função atual como reservista é ser instrutor.

Ainda sobre este tema, outro ex-piloto, fez o seguinte comentário:
"Os jovens que querem ser pilotos não podem ser rebeldes por natureza. Eu já fui a muitos enterros de "rebeldes". Nem podem ser "filósofos", pois nesta área não há muito tempo para analisar os problemas. Estes devem ser encarados e analisados sob diferentes aspectos, encontrando-se a melhor solução rapidamente".

Tornar-se piloto e conquistar o broche de asas que identifica a categoria não representa o fim da tensão. A competição continua durante todo o tempo em que se permanece na ativa. Treinados no seu limite, estão constantemente rompendo barreiras. No entanto, todos sabem que fazer algo com perfeição não é o suficiente para ganhar uma medalha. Faz parte das obrigações do cotidiano. "Se dois dos quatro motores do meu avião Hércules pararem de funcionar e eu conseguir aterrissar em segurança, todos dirão que eu consegui apenas porque segui o manual de instruções. Mas, se os quatro motores do aparelho apresentarem defeitos e, mesmo assim, eu conseguir descer em segurança, então todos ficarão impressionados com o que consegui fazer", diz o ex-piloto.

O medo de ser rebaixado de categoria também ronda a vida dos pilotos da ativa na FAI. Foi o que aconteceu com um desses jovens, após passar por um treinamento de seis meses em aviões de combate Skyhawk. "Foi a primeira vez que alguém me disse que eu não era bom o suficiente para fazer algo. Mas eu também senti certo alívio, pois no esquadrão no qual estou atualmente, o relacionamento entre as pessoas é menos estressante do que nos esquadrões de combate". Ele pilota helicópteros.

A hierarquia dentro da FAI obedece o seguinte padrão, em ordem decrescente: aviões de combate - F-15 e F-16; helicópteros de combate; aviões de transporte, sendo o modelo Hércules o mais importante. O número exato de pilotos e aviões da FAI não é divulgado, mas acredita-se que Israel possua atualmente 780 aparelhos, dentre os quais 73 do tipo F-15 (considerado o mais avançado avião de combate) e 245 do tipo F-16.

Aspectos humanos

Quando em 1967 a força aérea israelense destruiu os aviões do Egito antes mesmo que decolassem de suas bases, durante a Guerra dos Seis Dias, a população de Israel costumava dizer: "D'us foi nosso co-piloto". Apesar da crença na invencibilidade dos pilotos da FAI, do treinamento intensivo ao qual são submetidos e do mito que representam, eles têm consciência de sua condição humana. "Nós somos humanos e temos fraquezas. O fato de que você possa voar melhor do que qualquer outro não significa que você será o melhor marido ou o melhor pai. Nem que você será um profissional excelente de qualquer área se resolver mudar de atividade".

A experiência, no entanto, vem comprovando que aqueles que deixam a FAI conseguem obter ótimos cargos no mercado de trabalho civil, em função de sua excelente formação, adquirida durante os anos de treinamento.

Um ex-piloto disse que sete de seus companheiros de esquadrão estão trabalhando em posições de chefia nas 50 maiores empresas de tecnologia e de fundos de investimentos em Israel. Um ex-piloto de avião de combate disse que a experiência adquirida na FAI o tem ajudado em sua nova profissão: advogado na área financeira, uma profissão na qual a rápida tomada de decisões é fundamental.

O mundo dos pilotos ainda é um mundo essencialmente masculino, apesar da igualdade de direitos entre homens e mulheres em Israel estar garantida. Em protesto a esta situação, em 1994, Alice Miller recorreu à Suprema Corte de Israel para garantir o seu direito de fazer os exames para participar de cursos para pilotos. A moça ganhou a causa na justiça, mas foi reprovada nos testes. Este precedente abriu as portas para o sexo feminino e várias já foram aceitas em cursos desde então, mas nenhuma conseguiu se formar.

Ainda idolatrado no país, apesar de Israel não enfrentar uma guerra há quase dez anos e dos inúmeros relatos de acidentes durante o treinamento, o mito dos pilotos ainda sobrevive na sociedade israelense, enquanto vemos desmoronar vários pilares da ideologia que criou o Estado. Um relato de um piloto da ativa reflete bem o que a população pensa deste jovens que cruzam os ares em velocidades jamais alcançadas pelos mortais comuns, em suas máquinas maravilhosas: "Quando me tornei piloto, meus vizinhos começaram a me tratar como se eu fosse o messias. Quando o rádio de minha avó quebrou, ela me chamou para consertá-lo. Quando eu lhe disse que não sabia nada sobre rádios, ela se surpreendeu. Pensou que por que eu era piloto, eu poderia fazer qualquer coisa"...?
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