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Avião de fabricação israelense decola em aeroporto militar.
Eles são um dos maiores, senão o maior, dos mitos do Estado de Israel. Heróis de muitas guerras, representam a elite militar do país e povoam a imaginação de todos: são os pilotos da Força Aérea de Israel (FAI).
| Edição 29 - Junho de 2000 |
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Figuras lendárias de ações fulminantes, como a destruição dos aviões egípcios durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, ou o Resgate de Entebe, em Uganda, em 1976, são ainda vistos como uma espécie de semi-deuses, envoltos por uma aura de magia.
Por trás desta imagem, no entanto, estão rostos jovens e outros nem tão jovens marcados pela intensa competição que faz parte do dia-a-dia dos pilotos, por incontáveis horas de treinamento e pela eterna busca da perfeição. Ao seu lado, tanto nos treinamentos quanto nos vôos de observação ou em combate, uma companheira sempre presente: a ameaça de morte. Humor negro, distanciamento emocional e até descaso são alguns dos instrumentos utiliza- dos pelos pilotos para lidar com tal situação.
"Quando alguém morre em um acidente, a tendência comum é pensar que a causa foi erro humano ou do equipamento. Durante as duas semanas seguintes, os pilotos tendem a se tornar mais cuidadosos, porém, logo acabam voltando à sua postura normal. Na verdade, acabam retomando seu trabalho e dizendo a si mesmos '"não acontecerá comigo". Esta afirmação é de Reuven Pedatzur, um ex-piloto de jatos de combate que lutou na Guerra de Yom Kipur, em 1973, e, atualmente, escreve sobre temas militares para o jornal diário israelense Ha'aretz. Esta é também a opinião de um comandante de um esquadrão de F-16 da FAI. Para ele, "a morte faz parte da profissão. Nós não ficamos pensando sobre isso o tempo todo. Emoções, aliás, não são boas para os vôos".
A vida dos pilotos israelenses e o seu dia-a-dia foram tema de uma reportagem publicada pela revista The Jerusalem Report, em 1998. Para produzi-la e publicá-la, a revista recebeu uma autorização especial da censura militar de Israel, com a condição de não mencionar o nome completo dos entrevistados que estivessem na ativa. Foram feitas mais de doze entrevistas, além de uma visita a uma base da FAI, sendo tudo acompanhado por três oficiais militares da área de Segurança.
Em busca da perfeição
Considerados, no passado, os melhores pilotos do mundo em função principalmente da sua experiência em combates, os pilotos israelenses ainda fazem parte de um mundo à parte em Israel, no qual, para se conseguir entrar, é preciso vencer uma série de desafios. O primeiro deles é servir por sete anos o serviço militar obrigatório, ao invés dos tradicionais três. Depois, é preciso continuar a realizar vôos semanais até atingir a idade de 45 anos. O mundo dos pilotos é predominantemente masculino, composto na maioria por ashquenazitas. No entanto, acima de tudo, é extremamente competitivo, permitindo apenas a entrada dos melhores entre os melhores.
"Há um princípio vigente na FAI: você não pode fazer nada de forma medíocre. Mesmo que seja algo banal, como organizar uma festa, faça-o à perfeição. A mediocridade não faz parte do nosso mundo", diz um comandante de esquadrão, acrescentando: "Esta busca da excelência faz parte do treinamento dos pilotos e é, também, uma necessidade do trabalho que desempenham. Quando se está no ar, dentro de um avião, a vida ou a morte muitas vezes dependem da capacidade de tomar a decisão certa em um segundo".
Para conquistarem as insígnias de piloto, os candidatos passam inicialmente por uma bateria de testes que determinam suas condições físicas, seu nível de inteligência e perfil psicológico. Apenas aqueles que conseguem atender os requisitos necessários fazem um curso de vôo de dois anos, durante o qual vários são eliminados já na primeira semana de aula. De acordo com as estatísticas, um a cada dez recrutas consegue passar por todos os estágios e, dentre eles, apenas o melhor se tornará piloto de combate; os demais são enviados para os esquadrões de transporte ou se tornam navegadores. |
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