Dois anos mais tarde, o novo governador eleito da Geórgia, John Slaton, apesar dos protestos, mudou a sentença de Frank para prisão perpétua e, para protegê-lo das ameaças de linchamento, ordenou que fosse transferido para um lugar mais seguro. Na prisão, foi agredido várias vezes e, após ser esfaqueado no pescoço, foi hospitalizado.
No dia 15 de agosto, 30 homens que se autodenominavam "Comitê de Vigilância" entraram livremente na prisão, supostamente de segurança máxima, na qual Frank se encontrava e, como se não existissem portas de ferro ou guardas, tiraram-no de seu catre. Ninguém tentou impedir. Frank foi amarrado com uma corrente na parte traseira de um carro e seu corpo foi arrastado pelas estradas por mais de 100 quilômetros. Depois, foi enforcado em uma árvore. Durante anos, fotos macabras de seu corpo pendurado na árvore foram vendidas como cartões postais no sul dos Estados Unidos.
No norte dos país, os jornais denunciaram horrorizados o linchamento. Na Geórgia, porém, nada aconteceu. Os ataques contra os judeus continuaram em algumas publicações e as autoridades sequer tentaram encontrar os assassinos.
Em 1982, 69 anos após o julgamento de Frank, Alonzo Mann, de 83 anos, confessou que havia visto Jim Conley levando o corpo da jovem até o subsolo da fábrica. Disse, também, que não revelara esta informação na época porque sua mãe o proibira de se envolver. Em 1986, após uma minuciosa revisão do caso, o Estado da Geórgia concedeu a Frank perdão post mortem.
O caso Leo Frank foi um dos três julgamentos ocorridos no final do século 19 e início do 20, de cunho anti-semita. Dos três - Dreyfus, na França, e Mendel Beilis, na Rússia, somente Frank morreu. O caso Frank passou a ser conhecido nos Estados Unidos como "o julgamento preconceituoso". Um dos resultados desse trágico acontecimento foi a criação da Liga Anti-Difamação por um amigo de Frank, o advogado Sigmund Livingston. |